RS Safra 2025/26: semeadura da canola está quase concluída
Emater/RS projeta incremento de área de 102,64%, alcançando 353.397 hectares
O dólar acima de 5,20 reais deu suporte às cotações da soja no Brasil nesta semana. A valorização da moeda norte-americana ocorreu em meio à migração de recursos para o mercado dos Estados Unidos, à calmaria no mercado internacional e ao recuo do petróleo. O cenário ajudou os preços nos portos brasileiros, com indicações entre 135 reais e 144 reais por saca para posições de julho a outubro.
Nos Estados Unidos, 95 por cento da soja já germinou. A média histórica chega a 92 por cento. No ano passado, o índice alcançava 90 por cento. O ciclo segue adiantado após o plantio mais cedo. As lavouras em florescimento somam 11 por cento, ante 8 por cento no ano anterior e média de 7 por cento. Illinois, provável maior produtor do país neste ciclo, registra 5 por cento das áreas em florescimento, acima da média de 3 por cento.
No Brasil, os embarques de soja seguem em ritmo forte. O volume já supera 12 milhões de toneladas no mês. O total fica pouco mais de 1 milhão de toneladas abaixo de junho do ano passado. As projeções apontam possibilidade de superar 15 milhões de toneladas no mês, ou passar de 16 milhões de toneladas. O acumulado anual segue com recorde nas exportações.
A comercialização da soja da safra atual supera 69 por cento. No ano passado, passava de 70 por cento. A média histórica chega a pouco mais de 70,5 por cento. Para a safra nova, os negócios passam de 21,5 por cento. No ano anterior, alcançavam 25,5 por cento. A média chega a 26,5 por cento.
A área de soja deve crescer na próxima safra. Estimativas apontam aumento mínimo de 500 mil hectares. Algumas indicações chegam perto de 1 milhão de hectares. A expansão pode ocorrer sobre áreas de arroz, milho de primeira safra no Sul e Sudeste, renovação de cana e pastagens degradadas. Tocantins, Piauí, Maranhão e Pará seguem entre os estados com expansão de novas áreas.
No milho, geadas atingiram lavouras no Paraná e em pontos de Mato Grosso do Sul. As áreas mais vulneráveis incluem lavouras plantadas depois de 20 e 25 de fevereiro, sobretudo em baixadas. O ciclo mais lento ampliou o risco, pois parte das lavouras ainda permanecia em enchimento de grãos. Cerca de 15 por cento das áreas do Paraná estavam em condição de risco. Ainda não há quantificação das perdas.
Em Mato Grosso, a colheita do milho avança com dificuldades. A umidade acima do normal e as chuvas em algumas regiões atrasam os trabalhos. A oferta limitada de caminhões também pesa sobre a retirada do grão das lavouras. A colheita estadual se aproxima de 30 por cento. No norte de Mato Grosso, chega a cerca de 40 por cento. A comercialização da safrinha mato-grossense já passou de 50 por cento.
Nos Estados Unidos, o milho germinou em toda a área. O florescimento alcança 7 por cento, acima da média de 5 por cento. A condição das lavouras aponta 68 por cento em estado bom ou excelente. A soja norte-americana registra 66 por cento em condição boa ou excelente. Em Chicago, o milho busca suporte perto de 4 dólares por bushel, pressionado também pelo recuo do petróleo e do etanol.
O sorgo norte-americano alcança 90 por cento da área plantada, mesmo índice da média histórica. No Kansas, o plantio supera 80 por cento, próximo da média de 81 por cento. As lavouras em condição boa ou excelente ficam pouco acima de 50 por cento. No ano passado, o índice alcançava 61 por cento. O quadro pode abrir espaço para exportações brasileiras de sorgo na próxima temporada.
No trigo, Chicago tenta sustentar preços perto de 5,80 dólares a 5,90 dólares por bushel no contrato julho. As posições de dezembro em diante operam acima de 6 dólares por bushel. O movimento indica importações mais caras para o Brasil em 2027. No mercado interno, a área brasileira deve cair. As informações citadas apontam possibilidade de área perto de 2 milhões de hectares, ante 2,5 milhões de hectares no ano passado. O Brasil pode precisar importar mais de 7 milhões de toneladas na próxima temporada.
O arroz teve semana calma no Rio Grande do Sul. A alta registrada no fim de maio e no início de junho se consolidou, mas perdeu força. Os negócios no casca ocorreram da mão para a boca. Produtores e indústrias aguardam novos leilões de Pepro para ampliar o giro.
A nova safra de arroz deve ter redução de área. As indicações variam de 50 mil hectares a 100 mil hectares a menos. Algumas estimativas apontam queda de até 15 por cento. O Mercosul também deve reduzir área no Paraguai, Argentina e Uruguai. A oferta exportável regional tende a ficar limitada na próxima temporada.
No feijão, as geadas no Paraná encerraram parte das lavouras remanescentes. As últimas colheitas devem avançar nas próximas duas semanas. Depois, a oferta dependerá de São Paulo, Sudeste e áreas irrigadas dos estados centrais. O feijão-carioca nota 9 ou superior, vendido anteriormente até 500 reais por saca, opera agora entre 375 reais e 415 reais por saca. O tipo comercial gira entre 350 reais e 370 reais por saca. O mercado espera reposição do varejo a partir da próxima semana, com maior demanda de inverno por arroz, feijão e alimentos quentes.
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