Mercado Agrícola - 25.set.2026

Colheita nos EUA pressiona soja e milho; dólar sustenta preços

25.09.2026 | 07:27 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O avanço da colheita nos Estados Unidos mantém pressão sobre as cotações da soja e do milho em Chicago. No Brasil, o dólar valorizado sustenta os preços da soja em reais, enquanto exportações seguem em ritmo forte. Trigo, arroz e feijão também registram movimentos ligados ao clima, à disponibilidade de produto e ao início dos novos ciclos de plantio.

Situação da soja

No mercado internacional da soja, as atenções continuam voltadas para as relações comerciais entre Estados Unidos e China. O mercado acompanha os contatos entre Donald Trump e Xi Jinping, mas ainda sem anúncio de novas compras em grande volume. A China mantém indicações de aquisição de 25 milhões de toneladas negociadas nos meses anteriores. Uma compra de 120 mil toneladas ocorreu no período.

O prazo relacionado à pausa na disputa comercial, antes previsto para terminar em novembro, ganhou mais dois meses e passou para janeiro. Sem novidades relevantes nas compras chinesas, Chicago concentra atenção na colheita norte-americana.

A colheita de soja nos Estados Unidos alcança perto de 17% da área, ante média de 12%. O ritmo acima da média amplia a oferta disponível e exerce pressão sobre os contratos futuros. A posição novembro opera próxima de 13 dólares.

No Brasil, cerca de 81,5% da safra já foi comercializada. Mesmo assim, mais de 33 milhões de toneladas permanecem nas mãos dos produtores. A safra nova se aproxima de 39% negociados. O volume já comercializado chega à faixa de 72 milhões de toneladas, acima das pouco mais de 71 milhões de toneladas observadas no mesmo período do ciclo anterior.

As cotações das últimas oito semanas favoreceram novos fechamentos. A melhora dos preços e da relação de troca levou produtores ao mercado. O volume negociado da safra nova se aproxima dos maiores níveis históricos citados para o período.

O plantio brasileiro de soja permanece no início. Em Mato Grosso, produtores aguardam novas chuvas para acelerar os trabalhos. No Paraná, a umidade do solo permite avanço mais rápido. As indicações apontam área semelhante ou pouco superior à registrada na temporada passada.

Situação do milho

O milho também enfrenta pressão em Chicago. A colheita dos Estados Unidos chega perto de 20% da área, ante média de 15%. A maior entrada de produto no mercado limita a reação das cotações.

No Brasil, a colheita da segunda safra alcança aproximadamente 99%. O plantio da primeira safra ganha ritmo nos estados do Sul. Produtores buscam aproveitar as condições antes da chegada de novas chuvas.

As projeções mencionadas no levantamento passaram a indicar possibilidade de área semelhante ou um pouco maior em relação ao ano passado. A valorização do milho nos últimos dois meses contribuiu para essa mudança.

A comercialização segue com poucos negócios e compras concentradas nas necessidades imediatas. As exportações de setembro se aproximam de 4 milhões de toneladas. Em setembro do ano anterior, os embarques somaram 7,5 milhões de toneladas.

Situação do trigo

O trigo também sente o movimento de baixa das commodities agrícolas no mercado internacional, mas mantém contratos futuros acima de 7 dólares. As posições de 2027 aparecem na faixa de 7,20 a 7,30 dólares.

No Brasil, o mercado atua com cautela diante do excesso de chuva no Sul. A umidade elevada pode prejudicar lavouras e oferece suporte às cotações.

A colheita avança no Paraná. No Rio Grande do Sul, os primeiros trabalhos começam, enquanto grande parte das lavouras segue em desenvolvimento. O maior volume da colheita gaúcha deve ocorrer em outubro e novembro.

Situação do sorgo

Nos Estados Unidos, a colheita do sorgo chega perto de 30%, em linha com a média. No Kansas, principal estado produtor citado no levantamento, os trabalhos superam 10%. A parcela classificada entre boa e excelente soma 27%.

No Brasil, a colheita supera 96% da área. As exportações seguem em andamento. O cereal também mantém importância na alimentação humana em países africanos, com uso na produção de farinha e derivados.

Situação do arroz

No mercado gaúcho, os preços do arroz variam entre 80 e 90 reais por saca. Compradores limitam aquisições às necessidades imediatas. Produtores realizam vendas para financiar o plantio. Dados citados do Instituto Rio Grandense do Arroz apontam entre 10% e 15% da safra gaúcha já semeada. As projeções de redução de área perderam força em comparação com estimativas anteriores.

No Tocantins, comentários de mercado indicam possibilidade de crescimento entre 5 mil e 8 mil hectares em relação ao ano passado. No Sul de Santa Catarina, produtores relatam áreas inundadas após chuvas intensas. Novas precipitações podem dificultar o avanço das operações.

Situação do feijão

O feijão apresenta pressão de alta diante da perspectiva de menor oferta nos próximos meses. Estoques mantidos em câmaras frias diminuíram após vendas realizadas ao longo do ano. A próxima entrada mais relevante de produto deve ocorrer em cerca de 30 dias, principalmente no sul e no oeste de São Paulo.

A primeira safra tem área menor em comparação com anos anteriores, segundo o levantamento. O mercado também incorpora riscos associados ao excesso de chuva.

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