Mercado Agrícola - 23.out.2026

Exportações brasileiras de soja superam 105 milhões de toneladas em 2026

23.10.2026 | 06:57 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

As exportações brasileiras de soja ultrapassaram 105 milhões de toneladas no acumulado de 2026, contra aproximadamente 98 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. Os embarques de outubro alcançaram cerca de 4,8 milhões de toneladas até o dia 22.

A comercialização da safra brasileira de soja chegou a 82,3% da produção, abaixo dos 84,2% registrados no mesmo período de 2025 e da média de 84,1%. Os produtores ainda mantêm aproximadamente 32 milhões de toneladas disponíveis para negociação. No ano passado, o volume remanescente alcançava 28,5 milhões de toneladas.

As vendas antecipadas da nova safra atingiram 39,6% da produção estimada, contra 39,9% no ano anterior e média de 40,7%. O volume negociado alcançou 73,3 milhões de toneladas, acima dos 72 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2025. O resultado representa recorde para a comercialização antecipada em volume.

O plantio brasileiro avançou nos últimos dias, principalmente no Paraná. Os produtores aproveitaram a interrupção das chuvas para acelerar os trabalhos. Novas precipitações, registradas a partir de quarta-feira, voltaram a limitar as operações.

Nos Estados Unidos, a colheita da soja alcançou aproximadamente 75% da área, percentual equivalente à média histórica. As lavouras já chegaram à maturação. A melhora das condições meteorológicas favoreceu o avanço das máquinas.

Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja procuram estabelecer suporte próximo de US$ 12,50. As negociações apresentam resistência na região de US$ 13, com posições intermediárias entre US$ 12,80 e US$ 12,90.

Situação do milho

As exportações brasileiras de milho somaram aproximadamente 23,2 milhões de toneladas no acumulado do ano, abaixo dos 27 milhões de toneladas registrados no período correspondente de 2025. Os embarques de outubro ultrapassaram 3,5 milhões de toneladas.

A comercialização doméstica perdeu ritmo após a redução das indicações de preços nos portos. As ofertas passaram para a faixa de R$ 62 a R$ 65 nas posições de outubro a dezembro. Parte dos produtores interrompeu as vendas diante da expectativa de recuperação das cotações.

O volume de milho ainda disponível nas mãos dos agricultores alcança aproximadamente 70 milhões de toneladas.

O plantio da primeira safra brasileira aproxima-se de 90% da área prevista. A expectativa aponta para aproximadamente 4,5 milhões de hectares, contra 4,1 milhões de hectares cultivados na temporada anterior.

Nos Estados Unidos, a colheita do milho alcançou 55% da área, abaixo da média de 60%. A melhora das condições meteorológicas permitiu acelerar os trabalhos.

Em Chicago, os contratos futuros operam acima de US$ 4,60. As posições a partir de dezembro de 2028 superam US$ 5, indicando expectativas de valorização no longo prazo.

Situação do trigo

As importações brasileiras de trigo somaram quase 4,7 milhões de toneladas entre janeiro e a primeira quinzena de outubro. No mesmo intervalo de 2025, o país havia importado aproximadamente 5,5 milhões de toneladas.

Somente na primeira metade de outubro, as compras externas ultrapassaram 300 mil toneladas. Em todo o mês de outubro do ano passado, as importações alcançaram 534,3 mil toneladas.

No Paraná, a colheita de trigo ultrapassou 90% da área. No Rio Grande do Sul, os trabalhos alcançaram pouco mais de 20%. As chuvas dificultam o avanço das máquinas nas lavouras gaúchas.

No mercado de lotes, os preços indicados alcançam R$ 1.470 no Rio Grande do Sul e R$ 1.560 no Paraná. No mercado de balcão, as referências variam de R$ 73 a R$ 74 no estado gaúcho e de R$ 79 a R$ 85 no Paraná, conforme a região.

Situação do arroz

O plantio de arroz no Rio Grande do Sul ultrapassou aproximadamente 55% da área prevista. A Fronteira Oeste lidera os trabalhos, com cerca de 75% da área semeada. As chuvas recentes interromperam parte das operações.

Em Santa Catarina, os produtores aproximam-se da conclusão do plantio. As precipitações também dificultam a finalização dos trabalhos. No Tocantins, as projeções indicam cultivo de 105 mil a 110 mil hectares nesta temporada.

O mercado apresenta baixo volume de negócios. No varejo, pacotes de cinco quilogramas de arroz aparecem em promoções entre R$ 17 e R$ 22. Marcas comerciais apresentam preços de R$ 23 a R$ 27, enquanto produtos de maior valor alcançam R$ 36.

Situação do feijão

A oferta restrita de feijão sustenta as cotações em diferentes regiões produtoras. No sudoeste paulista, a colheita avança, mas parte dos agricultores mantém o produto armazenado diante da expectativa de valorização.

O feijão-carioca de melhor classificação apresenta indicações entre R$ 300 e R$ 315 em Goiás e Minas Gerais. Algumas negociações mineiras alcançam R$ 320. Em São Paulo, os preços variam de R$ 330 a R$ 350.

Para o feijão-carioca comercial, as referências oscilam entre R$ 280 e R$ 300 nos mercados goiano e mineiro. Em São Paulo, as indicações variam de R$ 300 a R$ 335.

O feijão-preto apresenta maior estabilidade. As referências nominais situam-se entre R$ 270 e R$ 280, com indicações próximas de R$ 265 no interior do Paraná. Produtores mantêm parte dos estoques fora do mercado, à espera de preços superiores.

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