El Niño forte preocupa produtores no RS até setembro
Boletim do Copaaergs prevê chuvas acima da média e orienta manejo para reduzir riscos nas lavouras
A soja tenta sustentar preços em Chicago em meio ao avanço da safra dos Estados Unidos e ao ritmo das exportações brasileiras. O mercado opera com suporte de 11,10 dólares por bushel no spot. As posições até novembro enfrentam resistência perto de 11,50 dólares por bushel. Os contratos de 2027 mostram valores acima desse nível.
Nos Estados Unidos, o plantio da soja ocorreu dentro da janela ideal. Segundo os dados citados no levantamento, 93 por cento da soja norte-americana germinou. No ano passado, o índice chegava a 89 por cento. A média histórica fica em 90 por cento. O florescimento alcança 9 por cento das áreas. No ano passado, atingia 7 por cento. A média soma 6 por cento.
A qualidade das lavouras norte-americanas mantém o mercado atento. O levantamento aponta 66 por cento da soja em condição boa ou excelente. O mesmo índice apareceu no ano passado. O clima em julho deve definir parte relevante do potencial produtivo. As lavouras entram em fase de florescimento e precisam evitar calor extremo e falta de chuva nas próximas seis semanas.
No Brasil, a comercialização da safra de soja alcança 69 por cento de uma produção de 180 milhões de toneladas. No ano passado, o índice chegava a 70 por cento de uma safra de 171,5 milhões de toneladas. A média histórica fica em 70,5 por cento. Ainda restam 55,8 milhões de toneladas de soja nas mãos dos produtores.
Parte desse volume entra em operações de barter. O produtor usa grão disponível para aquisição de insumos. A safra nova também avança nesse modelo. A comercialização atinge 21,5 por cento. No ano passado, chegava a 25,5 por cento. A média fica em 26,5 por cento.
O mercado também acompanha as primeiras projeções para a próxima safra brasileira. As estimativas citadas apontam possível aumento de área entre 500 mil hectares e um milhão de hectares. A expansão pode vir de áreas de arroz no Sul, áreas de milho no Sul e no Sudeste, renovação de canaviais no Paraná, em São Paulo e em estados centrais, além de pastagens degradadas convertidas em lavouras. As primeiras projeções indicam produção de 186 milhões de toneladas, ante 180 milhões de toneladas colhidas neste ciclo.
As exportações brasileiras de soja mantêm ritmo forte. Em 14 dias úteis de junho, o Brasil embarcou 10,7 milhões de toneladas de grão. Em junho do ano passado inteiro, o volume somou 13,4 milhões de toneladas. No acumulado do ano, os embarques do grão chegam a 65,8 milhões de toneladas, ante 61,5 milhões de toneladas no mesmo período anterior. O complexo soja, com grão, farelo e óleo, soma 79,8 milhões de toneladas exportadas, contra 73,8 milhões de toneladas no ano passado.
No milho, o mercado observa a safra dos Estados Unidos e a colheita da safrinha brasileira. Nos Estados Unidos, 97 por cento do milho germinou, índice igual à média histórica. O florescimento alcança 5 por cento das áreas. No ano passado, chegava a 4 por cento. A média fica em 3 por cento. A qualidade das lavouras soma 68 por cento em condição boa ou excelente.
Chicago tenta sustentar o milho acima de 4,10 dólares por bushel no spot. As posições até o fim de 2026 seguem abaixo de 4,50 dólares por bushel. O contrato julho de 2027, antes acima de 5,20 dólares por bushel, encontra dificuldade para manter 4,80 dólares por bushel. As posições de 2028 ficam acima de 4,80 dólares por bushel.
No Brasil, a colheita da safrinha avança. Produtores de Mato Grosso relatam ritmo menor por falta de caminhões para transporte do milho das lavouras aos armazéns. Há formação de milho a céu aberto em regiões produtoras. As cotações de balcão no norte de Mato Grosso caíram para abaixo de 30 reais por saca ao produtor.
O sorgo ganha espaço no acompanhamento do mercado. Nos Estados Unidos, o plantio alcança 84 por cento da área, em linha com a média histórica. Kansas registra 77 por cento, ante média de 78 por cento. Texas chega a 96 por cento, igual à média. A primeira avaliação de qualidade aponta 51 por cento das lavouras em condição boa ou excelente, abaixo dos 61 por cento do ano passado.
Com menor área e qualidade mais baixa, a safra norte-americana de sorgo pode ficar perto de 9 milhões de toneladas, ante 11,1 milhões de toneladas no ano passado. Esse quadro pode abrir espaço para o sorgo brasileiro. No Brasil, a área soma cerca de 2,2 milhões de hectares. O potencial produtivo fica entre 7,6 milhões e 8 milhões de toneladas. Para a próxima safra, produtores trabalham com potencial de 10 milhões de toneladas.
No trigo, a colheita no Hemisfério Norte pressiona os preços. O trigo spot perdeu o patamar de 6 dólares por bushel em Chicago. As demais posições seguem acima de 6 dólares por bushel, mas mais distantes dos 7 dólares registrados antes. A colheita avança nos Estados Unidos, na Rússia e na Ucrânia.
No Brasil, o mercado questiona o tamanho final da área plantada. A estimativa citada varia entre 2 milhões e 2,2 milhões de hectares. Há chance de área perto de 2 milhões de hectares ou abaixo disso. O recuo colocaria o trigo entre as menores áreas das últimas duas décadas. O mercado indica preços de 1.320 a 1.340 reais por tonelada no Rio Grande do Sul e de 1.340 a 1.380 reais por tonelada no Paraná. No balcão, a saca varia de 69 a 71 reais.
O clima também preocupa. Há indicativos de geadas no Paraná nesta semana. Parte das lavouras começa a entrar em fase sensível. No Rio Grande do Sul, relatos apontam queda de 30 por cento a 40 por cento na área plantada. A redução pode aumentar a necessidade de importação de trigo pelo Brasil.
O mercado do arroz perdeu força após a valorização registrada nas semanas anteriores. No Rio Grande do Sul, o produto subiu entre 2 reais e 3 reais por saca, mas voltou a acomodar. Indústrias indicam dificuldade financeira para formar estoques. Produtores pedem novos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural. A comercialização segue em ritmo lento. Na Fronteira Oeste, o arroz comercial opera entre 58 reais e 61 reais por saca em Uruguaiana. Nas faixas litorâneas do Rio Grande do Sul, os valores ficam entre 3 reais e 5 reais acima desses níveis.
O mercado do feijão segue pressionado pela colheita e pela oferta no campo. A demanda no varejo avança em ritmo lento. Ainda há produto nas gôndolas comprado a valores mais altos no mês anterior, entre 450 reais e 500 reais por saca. Com isso, o pacote ao consumidor permanece entre 12 reais e 18 reais em parte do varejo. Esse cenário reduz o giro e mantém pressão sobre os preços ao produtor.
Os preços, porém, mostram sinais de estabilização. O feijão-carioca nobre, com padrão 9 acima, registra indicativos entre 360 reais e 400 reais por saca. O carioca comercial, padrão 8 a 8,5, fica entre 320 reais e 360 reais por saca. O feijão-preto opera entre 195 reais e 220 reais por saca, após ter caído para abaixo de 200 reais. Chuvas recentes atrapalharam a colheita e já há relatos de perda de qualidade no produto remanescente no campo. A virada do mês pode elevar a reposição do varejo e dos empacotadores.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura