RS Safra 2025/26: chuvas aliviam estresse da soja
Cultura apresenta elevada variabilidade de potencial produtivo, reflexo da irregularidade das precipitações
O Outlook Forum indicou aumento da área de soja nos Estados Unidos e redução expressiva no milho. O mercado reagiu em Chicago. A soja ganhou suporte. O milho manteve estabilidade. No Brasil, perdas climáticas podem reduzir a safra e anular parte do avanço americano.
Os produtores americanos devem plantar 34,37 milhões de hectares de soja na nova safra. No ciclo anterior, a área somou 32,84 milhões. O avanço supera 1,5 milhão de hectares.
A decisão reflete expectativa de maior compra chinesa. A projeção considera importação adicional de 5 milhões de toneladas pela China. A nova área pode gerar volume próximo a esse montante.
O custo do milho pesou na escolha. Produtores relatam dificuldade na compra de ureia. Rússia e China lideram a oferta global. Conflitos geopolíticos pressionam o petróleo e elevam custos. O milho demanda mais insumos. Parte da área migrou para a soja.
Para o milho, o Outlook apontou 38,038 milhões de hectares. No ciclo anterior, o plantio alcançou 39,9 milhões. A redução se aproxima de 2 milhões de hectares. A menor área pode retirar até 25 milhões de toneladas da oferta potencial. O consumo global supera 1,3 bilhão de toneladas. O último dado do USDA indicou produção de 1,297 bilhão.
Em Chicago, a soja buscou suporte. O contrato março perdeu US$ 11,40. O julho superou US$ 11,60. O ambiente melhorou apesar da expansão de área nos EUA.
O Brasil enfrenta problemas climáticos. O USDA projetou 180 milhões de toneladas. Analistas já consideram volume próximo de 175 milhões. Excesso de chuva atinge Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul. O Rio Grande do Sul registra perdas.
A colheita nacional supera 25%. Mato Grosso ultrapassa 55%. Paraná passa de 30%. Bahia se aproxima de 20%.
A comercialização da safra nova alcança cerca de 35%. No mesmo período do ano passado, o índice variou entre 42% e 44%. A média histórica marca 41%.
As exportações aceleram. Nas duas primeiras semanas de fevereiro, o Brasil embarcou 2,69 milhões de toneladas de soja em grão. Fevereiro do ano passado somou 6,42 milhões. A estimativa atual supera 10 milhões no mês.
O acumulado de janeiro e fevereiro atinge 4,56 milhões de toneladas. O volume supera o recorde anterior de 4,15 milhões. O farelo acumula 2,9 milhões. O complexo soja totaliza 7,83 milhões de toneladas.
No milho brasileiro, a safrinha alcança 35% de plantio. No mesmo período do ano passado, o índice marcava 44%.
No trigo, o USDA reduziu a área americana de 18,32 para 18,2 milhões de hectares. O inverno rigoroso sustenta as cotações em Chicago.
No arroz, a produção brasileira pode ficar abaixo de 11 milhões de toneladas. A safra anterior alcançou 12,8 milhões. As exportações avançam no início do ano.
O feijão registra alta nas principais praças. O carioca nobre supera R$ 305 por saca em diversas regiões. Produtores indicam potencial para novos reajustes.
Por Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting
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