Combustíveis iniciam julho em queda, aponta Edenred
São Paulo registrou o menor preço médio do biocombustível do país, enquanto o Paraná teve o diesel mais barato
A intensificação dos conflitos no Mar Negro elevou a pressão sobre os mercados de trigo, milho, soja, petróleo, diesel e fertilizantes. Ataques contra estruturas russas e ucranianas ampliaram o risco sobre embarques e refino. O movimento favoreceu as cotações agrícolas, mas aumentou a preocupação com os custos de produção no Brasil.
O trigo liderou a valorização no mercado internacional. Rússia e Ucrânia ocupam posições relevantes na oferta global do cereal. Os ataques contra navios graneleiros, refinarias e estruturas ligadas à exportação reduziram a previsibilidade dos embarques. O mercado passou a incorporar maior risco de escassez.
A valorização externa elevou a perspectiva de alta no mercado brasileiro. O Brasil depende de importações, com destaque para o trigo da Argentina. O custo maior no mercado internacional pode pressionar as cotações internas nos próximos meses.
No Rio Grande do Sul, os negócios do trigo giraram entre 1.300 reais e 1.320 reais por tonelada. No Paraná, os valores variaram de 1.380 reais a 1.410 reais por tonelada. O mercado de balcão permaneceu entre 69 reais e 71 reais por saca.
A produção brasileira deve recuar. A área plantada alcançou cerca de 2 milhões de hectares, ante quase 2,5 milhões de hectares no ciclo anterior. A estimativa de produção caiu para 6 milhões de toneladas.
Na soja, a safra dos Estados Unidos avançou acima da média histórica. Cerca de 60% das lavouras entraram em florescimento, ante média de 52% para o período. A formação de vagens alcançou 25%, enquanto a média histórica soma 18%.
As condições das lavouras também apresentaram leve melhora. O índice de áreas boas ou excelentes chegou a 65%, ante 64% na semana anterior. A média indicada para o período alcança 70%. O calor no norte do cinturão agrícola mantém o mercado atento durante as próximas semanas.
No Brasil, os embarques de soja superaram 6,5 milhões de toneladas na primeira metade de julho. A comercialização da safra atingiu 73%. O resultado ficou próximo dos 73,5% do ano anterior e da média de 74%.
Os produtores ainda mantêm cerca de 48,6 milhões de toneladas da safra atual. No mesmo período do ano passado, o volume alcançava 45,4 milhões de toneladas. A disponibilidade elevada limita movimentos mais fortes no mercado interno.
A comercialização da nova safra chegou a 26%. No ciclo anterior, o índice somava 28,5%. A média alcança 30%. O volume negociado foi estimado em 48,5 milhões de toneladas, com participação de operações de troca e contratos futuros.
No milho dos Estados Unidos, 42% das lavouras entraram em florescimento. A média histórica soma 35%. A formação de espigas alcançou 10%, ante média de 7%. Cerca de 68% das áreas receberam classificação boa ou excelente.
No Brasil, a colheita da segunda safra alcançou perto de 50% da área. A média para o período gira em torno de 65%. Mato Grosso colheu cerca de 70%, ante média próxima de 80%.
O volume já retirado das lavouras foi estimado em 55 milhões de toneladas. A produção total da segunda safra pode ficar perto de 110 milhões de toneladas. O resultado ficaria abaixo das 113,3 milhões de toneladas do ciclo anterior, mas ainda representaria grande oferta.
Os negócios seguem lentos no interior. Muitos produtores aguardam preços maiores. Nos portos, porém, as cotações reagiram após o aumento do risco no Mar Negro. Os valores passaram de uma faixa entre 62 reais e 64 reais para níveis entre 70 reais e 74 reais, nas posições de setembro a novembro. Para dezembro, o mercado indicou até 75 reais por saca.
O sorgo brasileiro pode ganhar espaço. A safra dos Estados Unidos apresenta piora nas condições. Apenas 45% das lavouras receberam classificação boa ou excelente, ante 50% na semana anterior e 69% no ano passado.
O Brasil exportou pouco mais de 35 mil toneladas de sorgo no primeiro semestre. Os embarques podem crescer nos próximos meses. Compradores indicaram valores próximos de 70 reais por saca para setembro e outubro.
No arroz, as indústrias retomaram parte das compras. O movimento provocou pequena reação nas cotações. No Rio Grande do Sul, o arroz comercial superou 60 reais por saca em algumas posições. O arroz nobre alcançou 65 reais ou mais.
A oferta de arroz pode cair no Mercosul em 2027. Paraguai, Argentina e Uruguai indicam redução de área e produção. Os Estados Unidos também caminham para uma das menores safras das últimas duas décadas.
No feijão-carioca, a colheita da segunda safra pressionou as cotações. Os lotes nobres variaram entre 350 reais e 390 reais por saca. O produto comercial girou entre 320 reais e 340 reais.
O feijão-preto manteve maior estabilidade. As cotações ficaram entre 200 reais e 210 reais por saca. Alguns compradores ofereceram 180 reais por lotes antigos.
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