Mercado Agrícola - 15.mai.2026

Commodities recuam com impasse entre EUA e China

15.05.2026 | 07:26 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional de commodities agrícolas registrou queda após o primeiro dia de negociações entre Donald Trump e Xi Jinping, na China. Até o momento relatado, não houve acordo entre Estados Unidos e China. O ambiente pressionou soja, milho e trigo em Chicago. A soja sofreu a maior perda, com recuos de 35 a mais de 40 pontos. Todos os contratos perderam o patamar de US$ 12 por bushel.

Nos Estados Unidos, o plantio da soja avança em ritmo acelerado. A área semeada chegou a 55%, ante média de 42%. Em Illinois, principal estado produtor, o plantio passou de 62%, contra média histórica de 50%. As condições climáticas seguem dentro da normalidade para o período.

No Brasil, a safra 2025/26 de soja, estimada em 180 milhões de toneladas, tem 63% da produção negociada. No ano anterior, o índice chegava a 67%. A média alcançava 68%. A safra nova também registrou negócios, com avanço em operações de barter nos dias anteriores, quando Chicago operou acima de US$ 12 por bushel. A comercialização antecipada chegou a 16%, abaixo dos 21% do ano passado e dos 23% da média.

As exportações brasileiras de soja seguem fortes. O acumulado já supera 46,5 milhões de toneladas. No mesmo período do ano passado, o volume alcançava 43 milhões de toneladas.

Situação do milho

O milho também caiu em Chicago. As posições perderam de 10 a 15 pontos. O recuo veio no mesmo movimento de aversão ao risco, mesmo sem a China ocupar grande posição como compradora de milho norte-americano. O plantio nos Estados Unidos chegou a 65%, contra 66% no ano passado e média de 57%. Em Iowa, o avanço se aproxima de 80%. O estado deve plantar a maior parte das lavouras antes de 20 de maio, dentro da janela ideal.

No Brasil, o milho permanece com mercado calmo. Vendedores aguardam a avaliação dos danos causados por geadas sobre o milho safrinha, em especial no Paraná. Há risco de novas geadas no fim da próxima semana, com a entrada de nova massa de frio. Compradores evitam pagar mais. Segundo dados citados da Secex, a primeira semana registrou embarque de apenas 100 mil toneladas, em dois navios. De janeiro até a primeira semana do mês, o acumulado passa de 7,4 milhões de toneladas, ante 6,1 milhões no ano passado.

Situação do trigo

O trigo acompanhou a queda externa. Os contratos operaram entre US$ 6,50 e US$ 7,10. Apesar da pressão, a safra do hemisfério norte apresenta fundamentos próprios. Nos Estados Unidos, apenas 28% das lavouras aparecem entre boas e excelentes. No ano passado, o índice chegava a 54%. Na semana anterior, o percentual marcava 31%. As lavouras ruins e péssimas subiram para 40%, contra 18% no ano anterior.

No Brasil, os negócios com trigo seguem pontuais. Moinhos compram da mão para a boca. Os indicativos nominais ficam perto de R$ 1.300 por tonelada no Rio Grande do Sul e de R$ 1.350 no Paraná.

Situação do sorgo

O sorgo ganha relevância no mercado brasileiro. A área norte-americana recua nesta temporada. A área colhida nos Estados Unidos foi indicada em 2,1 milhões de hectares, ante 2,43 milhões no ano anterior. A produção projetada soma 9,3 milhões de toneladas, contra 11,1 milhões no ciclo passado. Esse movimento abre espaço para o sorgo brasileiro.

Nos Estados Unidos, o plantio de sorgo chegou a 30%, em linha com o ano passado e com a média histórica. No Brasil, as lavouras avançam em desenvolvimento e formação de cacho. A área plantada foi indicada em 2,2 milhões de hectares, contra 1,6 milhão no ano passado. A produção pode alcançar de 7,5 milhões a 8 milhões de toneladas, ou até superar esse intervalo, conforme o comentário de mercado. Os indicativos ficam entre R$ 40 e R$ 45.

Situação do arroz

No arroz, o mercado segue de lado. Produtores demonstraram frustração com os pregões da Conab. Um primeiro leilão de 53,1 mil toneladas não teve negócios. O segundo, de 39,9 mil toneladas, negociou volume abaixo do esperado. A reclamação envolve prêmios considerados baixos no Pepro e prazo de recebimento.

Na Fronteira Oeste, os indicativos ficam em R$ 57 a R$ 58. O arroz parboilizado opera perto de R$ 54. Na faixa litorânea, os preços pagam de R$ 3 a R$ 5 a mais. No Mato Grosso, a oferta escassa sustenta cotações entre R$ 92 e R$ 100 por saca. No varejo, promoções variam de R$ 11 a R$ 22 por pacote. Marcas nobres chegam a R$ 25, R$ 30 ou R$ 32 em grandes centros.

Situação do feijão

O feijão teve forte impacto das geadas no Paraná, principal produtor brasileiro. Houve perdas em áreas do Sudoeste, Centro e parte do Centro-Oeste do estado. O Norte de Santa Catarina também registrou danos. O mercado mantém preços firmes, com vendedor retraído e comprador ativo.

O feijão-carioca linha 9 acima opera entre R$ 390 e R$ 440 por saca, com expectativa de parte dos vendedores por níveis próximos de R$ 500. O carioca comercial 8 e 8,5 também subiu. Os indicativos mínimos ficam na faixa de R$ 370, com algumas praças acima de R$ 405 a R$ 410. O feijão-preto acompanhou o movimento e já tem referências entre R$ 200 e R$ 220 por saca, com oferta retraída.

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