Mercado Agrícola - 14.jul.2026

Guerras pressionam custos e ampliam riscos para o agro

14.07.2026 | 15:10 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

Conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro voltaram a elevar os riscos para o agronegócio. A alta do petróleo, as restrições ao transporte marítimo e possíveis limitações nas exportações russas de diesel podem aumentar custos com combustíveis, fertilizantes, defensivos e fretes. O cenário ocorre durante o desenvolvimento das safras de soja e milho nos Estados Unidos e a colheita do milho segunda safra no Brasil.

Apesar do ambiente externo, a safra norte-americana de soja mantém desenvolvimento próximo da normalidade. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou 50% das lavouras em florescimento. O índice alcançava 34% na semana anterior, 45% no mesmo período do ano passado e 44% na média histórica.

A formação de vagens chegou a 19% das áreas. Na semana anterior, o índice marcava 9%. A média alcança 13%. Em Illinois, maior produtor norte-americano de soja, 19% das lavouras entraram nessa fase, ante média de 12%.

A qualidade da soja apresentou leve melhora. O levantamento classificou 65% das lavouras entre boas e excelentes. Na semana anterior, o índice atingia 64%. No mesmo período do ano passado, marcava 70%.

O calor permanece no cinturão agrícola dos Estados Unidos. As temperaturas variam de 35 a 37 graus Celsius no norte da região e de 33 a 35 graus Celsius no sul. A previsão indica chuvas para a próxima semana, após um período mais seco.

A demanda chinesa também influencia as cotações. A China comprou perto de um milhão de toneladas de soja entre volumes da safra velha e da safra nova na semana anterior. O mercado espera novos negócios.

No Brasil, a comercialização da safra atual de soja alcançou 72,5%. O índice marcou 73% no ano passado e também 73% na média. Os produtores ainda mantêm cerca de 49,5 milhões de toneladas. No mesmo período do ciclo anterior, o volume proporcional chegava a 46,3 milhões de toneladas.

A venda antecipada da safra nova atingiu 25,5%. O índice alcançava 28% no ano passado e 29,5% na média. O volume negociado soma 47,4 milhões de toneladas, ante 50,5 milhões de toneladas no ciclo anterior.

A Companhia Nacional de Abastecimento elevou a estimativa da produção brasileira de soja para 180,6 milhões de toneladas. A projeção anterior apontava 180,3 milhões de toneladas. O país colheu 171,5 milhões de toneladas na safra passada.

As exportações mantêm ritmo elevado. Nos oito primeiros dias úteis de julho, o Brasil embarcou quase 5 milhões de toneladas de soja. O acumulado do ano chegou a 74,6 milhões de toneladas, ante 68 milhões de toneladas no mesmo período anterior.

Os embarques de farelo somaram 14,4 milhões de toneladas desde janeiro. No mesmo intervalo do ano passado, alcançaram 12,4 milhões de toneladas. As vendas externas de óleo chegaram a 1,4 milhão de toneladas, ante 800 mil toneladas.

O complexo soja acumulou 90,4 milhões de toneladas exportadas. No mesmo período anterior, o total marcava 81,2 milhões de toneladas. As receitas de soja, farelo e óleo no início de julho alcançaram 2,7376 bilhões de dólares, equivalentes a 14,1 bilhões de reais.

O avanço da comercialização dos insumos ganhou urgência. Faltam cerca de dois meses para o início do plantio. Parte dos produtores ainda precisa garantir fertilizantes, defensivos e outros insumos para a nova temporada.

Situação do milho

No milho norte-americano, 34% das lavouras entraram em florescimento. O índice atingia 16% na semana anterior, 32% no ano passado e 30% na média. A formação de espigas alcançou 6% das áreas, ante média de 5%.

A qualidade também apresentou leve melhora. O relatório classificou 68% das lavouras entre boas e excelentes. Na semana anterior, o percentual chegava a 67%. No ano passado, marcava 74%.

No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento elevou a projeção da safra total de milho para 141,7 milhões de toneladas. A estimativa anterior apontava 140,5 milhões de toneladas. A produção alcançou 141,2 milhões de toneladas no ciclo passado.

A primeira safra recebeu estimativa de 29,6 milhões de toneladas. A projeção anterior indicava 29,3 milhões de toneladas. A produção da segunda safra subiu de 107,9 milhões para 109,4 milhões de toneladas.

A colheita da segunda safra alcança cerca de 45% da área nacional. O volume colhido aproxima-se de 50 milhões de toneladas. Em outros anos, os trabalhos já chegavam perto de 80% neste período. Mato Grosso supera 60%, enquanto os demais estados apresentam avanço menor.

O aumento da mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, tende a ampliar a demanda por milho e cana-de-açúcar. A mudança pode acrescentar cerca de 900 milhões de litros de etanol por ano ao consumo interno e reduzir as importações de gasolina no mesmo volume.

Situação do sorgo

O sorgo brasileiro também ganha espaço. A Companhia Nacional de Abastecimento revisou a área para 2,1517 milhões de hectares. No ano anterior, o cultivo ocupou 1,632 milhão de hectares.

A produção projetada alcança 7,6219 milhões de toneladas. Na safra anterior, o país colheu 6,1022 milhões de toneladas. O crescimento amplia o potencial de exportação, principalmente diante da menor qualidade das lavouras norte-americanas.

Nos Estados Unidos, 45% do sorgo recebeu classificação entre bom e excelente. O índice alcançava 50% na semana anterior e 69% no ano passado. A redução de área e a perda de qualidade podem limitar o volume disponível para exportação.

Situação do trigo

O trigo enfrenta pressão adicional. Rússia e Ucrânia ocupam posições relevantes no comércio mundial. Ataques a navios e possíveis retaliações contra terminais portuários aumentam os riscos de interrupção dos embarques.

Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno chegou a 67%, ante média de 61%. O trigo de primavera apresenta 58% das lavouras entre boas e excelentes, frente a 54% no ano passado.

No Brasil, a área de trigo caiu de 2,445 milhões para 2,036 milhões de hectares. A Companhia Nacional de Abastecimento projeta produção de 6 milhões de toneladas, ante 7,9 milhões de toneladas no ciclo anterior.

A estimativa de importação subiu de 6,2 milhões para 6,9 milhões de toneladas. A menor produção interna e os riscos no Mar Negro podem pressionar os preços da farinha e dos derivados.

Situação do arroz

O mercado de arroz também aponta redução de oferta. Nos Estados Unidos, a área caiu de mais de 1,1 milhão para pouco mais de 800 mil hectares. A qualidade permanece próxima da normalidade, com 78% das lavouras entre boas e excelentes.

No Mercosul, as indicações apontam redução de plantio no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e no Rio Grande do Sul. Santa Catarina deve manter área próxima de 140 mil hectares. No território gaúcho, a retração pode variar de 50 mil a 100 mil hectares.

A produção brasileira atual alcança 11,1 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na safra anterior, o país colheu 12,76 milhões de toneladas. As primeiras indicações apontam possibilidade de produção inferior a 10 milhões de toneladas no próximo ciclo, diante de consumo próximo de 11,5 milhões de toneladas.

Situação do feijão

O feijão mantém negócios lentos durante a colheita da segunda safra. O carioca nobre varia de 370 a 400 reais por saca. Alguns compradores oferecem 350 reais. O carioca comercial opera entre 320 e 350 reais por saca.

A oferta pode diminuir nas próximas semanas. A colheita da terceira safra irrigada deve começar na segunda quinzena de setembro e seguir até outubro. O feijão-preto apresenta indicações entre 200 e 210 reais por saca, após interrupção do movimento de queda.

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