Mercado Agrícola - 13.mar.2026

Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e sustenta grãos

13.03.2026 | 10:24 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A guerra envolvendo o Irã elevou a tensão no mercado internacional e impulsionou commodities agrícolas. Ataques a navios no Estreito de Ormuz provocaram forte reação no petróleo. O WTI superou US$ 95 por barril. O Brent ultrapassou US$ 100. O movimento sustenta soja, milho e trigo em Chicago.

A soja alcança níveis não vistos há mais de dois anos. Contratos chegaram a US$ 12,50 por bushel em julho. Parte do mercado realizou hedge nesse patamar. A valorização ocorre por fatores externos ao complexo soja. Petróleo caro impulsiona óleo vegetal. Inverno rigoroso no hemisfério norte sustenta demanda por farelo. Contratos próximos e intermediários mantêm cotações acima de US$ 12 por bushel.

O mercado brasileiro não acompanha com a mesma intensidade. Prêmios nos portos recuam para os menores níveis do ano. Compradores indicam valores abaixo de 50 pontos negativos nas posições curtas. O frete também reduz margens no interior. Diesel varia de R$ 8 a R$ 10 por litro em várias regiões. No início do mês, valores ficavam entre R$ 5 e R$ 6,50.

A colheita da soja no Brasil atinge 57% da área. Mato Grosso lidera com 92%. Paraná e Mato Grosso do Sul registram 58%. Goiás alcança 55%. Bahia soma 40%. Rondônia chega a 65%. No Rio Grande do Sul o trabalho iniciou com cerca de 1% da área.

A comercialização da nova safra avança abaixo do ritmo histórico. Negócios envolvem menos de 40% da produção. No mesmo período do ano passado o índice superava 48%. A média histórica gira em torno de 47%. O país colheu cerca de 171,5 milhões de toneladas.

Outro obstáculo surgiu nos portos. Fiscalização sanitária ganhou rigor após novas exigências da China. O país asiático não aceita mistura com sementes de outras espécies ou plantas invasoras. Cargas contaminadas enfrentam bloqueio. Há navios retidos no destino. Algumas tradings suspenderam compras até normalização do fluxo.

Situação do milho

No milho, Chicago também registra valorização. Contratos curtos sobem mais de 4%. O vencimento julho chegou a US$ 5,10 por bushel. O mercado acompanha demanda firme e possível redução de área nos Estados Unidos. Projeções indicam corte próximo de 2 milhões de hectares no próximo plantio.

No Brasil, a colheita do milho de primeira safra atinge cerca de 55%. O plantio da safrinha alcança 92% da área. O ritmo permanece abaixo da média histórica. Parte relevante ainda entra fora da janela ideal.

Situação do trigo

O trigo também ganha suporte externo. Cotações em Chicago superam US$ 6 por bushel nas posições curtas. Contratos mais longos aproximam-se de US$ 6,50. A valorização eleva custos de importação para o Brasil. Projeções indicam trigo acima de R$ 1.500 por tonelada no mercado interno.

Situação do arroz

O arroz gaúcho inicia colheita com boa qualidade de grão. Algumas áreas apresentam rendimento de 60% a 62% de inteiros. Produtores seguram oferta. Valores indicam R$ 55 a R$ 57 na Fronteira Oeste. Regiões próximas ao porto alcançam até R$ 63 por saca. Custos logísticos pressionam preços ao consumidor.

Situação do feijão

No feijão, lotes nobres alcançam R$ 330 a R$ 360 por saca. O carioca comercial varia de R$ 300 a R$ 335. O feijão preto oscila entre R$ 180 e R$ 200 conforme a praça. O varejo já incorpora reajustes após alta registrada em fevereiro.

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