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Pesquisadores propuseram metodologia para avaliar o uso de lanternas ultravioletas em levantamentos noturnos de ovos, larvas e pupas de Lepidoptera. O protocolo adota uma escala de zero a três para classificar a detectabilidade dos estágios imaturos. A escala considera fotoluminescência, contraste com a vegetação e comportamento do inseto (DOI: 10.1111/een.70113).
Segundo os cientistas, borboletas e mariposas respondem a mudanças no ambiente. Por isso, esses insetos ajudam a indicar alterações no ecossistema. O monitoramento de adultos, porém, enfrenta obstáculos. Algumas espécies apresentam curto período de voo. Outras ocupam copas de árvores. A atividade dos adultos também depende de clima e tempo favoráveis.
A busca por estágios imaturos pode ampliar a janela de monitoramento. Ela também permite estudar exigências de micro-habitat e uso de plantas hospedeiras. Métodos tradicionais, como varredura de vegetação e batida de ramos, podem causar distúrbio às larvas e ao habitat. A vistoria noturna com luz ultravioleta oferece alternativa não invasiva, simples e de baixo custo.
A técnica explora a fluorescência de muitos ovos, larvas e pupas sob luz ultravioleta entre 365 e 395 nanômetros. A resposta, porém, varia entre espécies. Por isso, os pesquisadores desenvolveram uma escala aplicável em campo. O grau zero indica ausência de fotoluminescência e inutilidade da lanterna ultravioleta. O grau um indica fotoluminescência fraca, com visibilidade apenas a menos de um metro. O grau dois indica fotoluminescência parcial, mas marcada, com detecção entre três e cinco metros. O grau três indica fotoluminescência forte e uniforme, com alta visibilidade acima de dez metros.
A equipe validou a escala com espectroscopia de emissão de fotoluminescência em laboratório. Os testes envolveram larvas de Lycaenidae. O grupo analisou respostas sob lanternas de 365 nanômetros e de 385 a 395 nanômetros. As espécies avaliadas incluíram Satyrium pruni, Lycaena batavus, Lycaena phlaeas, Thecla betulae, Callophrys rubi, Favonius quercus e Celastrina argiolus.
Os resultados indicaram relação entre contagens de fótons e notas da escala. Valores abaixo de 100 contagens por segundo corresponderam ao grau zero. Valores de 100 a 999 contagens por segundo corresponderam ao grau um. Valores de 1.000 a 4.999 contagens por segundo corresponderam ao grau dois. Valores acima de 5.000 contagens por segundo corresponderam ao grau três.
A resposta ao comprimento de onda variou. Larvas de Satyrium pruni emitiram forte fotoluminescência sob os dois tipos de lanterna, com maior intensidade visível sob 365 nanômetros. Larvas de Lycaena phlaeas apresentaram resposta forte apenas sob 365 nanômetros. A tabela do estudo registrou 92.097,4 contagens por segundo para Satyrium pruni sob 365 nanômetros e 31.213,6 contagens por segundo sob 385 a 395 nanômetros. Para Lycaena phlaeas, o valor chegou a 7.346,5 contagens por segundo sob 365 nanômetros, mas ficou em 36,7 contagens por segundo sob 385 a 395 nanômetros.
Os pesquisadores alertam para interferências de fundo. Folhas, flores, brotos, seiva e gotas de chuva podem emitir cores sob luz ultravioleta. Esse efeito pode ampliar ou reduzir o contraste entre larva e planta. O comportamento também altera a eficiência. Larvas sob folhas ou em vegetação densa podem escapar da detecção. Larvas de alguns Satyrinae sobem em hastes de gramíneas para se alimentar à noite, o que favorece a localização.
Os cientistas recomendam testes prévios com a espécie-alvo. As lanternas comerciais mais comuns operam em 365 nanômetros ou entre 385 e 395 nanômetros. Os pesquisadores sugerem iniciar avaliações com lanterna de 365 nanômetros e potência entre 15 e 60 watts. O equipamento deve incluir filtro ZWB2 para reduzir interferência de luz visível. A lanterna deve iniciar a vistoria com carga completa. Em levantamentos longos, a troca de baterias ajuda a manter saída de luz constante.
A metodologia também propõe padronização no registro de dados. Relatórios devem informar fabricante e modelo da lanterna, comprimento de onda de pico, largura de banda quando conhecida e potência ou configuração de saída. Também devem registrar luz ambiente, fase da lua, cobertura de nuvens, luz artificial próxima e distância de detecção. Dados básicos de campo incluem data, horário de início e fim, condições meteorológicas, rota ou transecto e observadores.
Os pesquisadores recomendam registrar número de larvas, instar, coordenadas, altura no hospedeiro, orientação na planta e padrão de agrupamento ou dispersão. Imagens publicadas devem mostrar o mesmo indivíduo sob luz ultravioleta e sob luz normal, com escala e informação do instar.
O uso de óculos de proteção ultravioleta deve acompanhar as vistorias. O estudo também recomenda evitar exposição prolongada das larvas a luz ultravioleta intensa.
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