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A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) apresenta resposta molecular rápida e dinâmica no intestino médio após ingestão de SfMNPV. Estudo identificou alterações estruturais, metabólicas e celulares nas primeiras 24 horas. Resultados indicam remodelação da barreira intestinal, ativação de vias de estresse e transição de apoptose para regeneração tecidual.
A pesquisa utilizou sequenciamento transcriptômico em três momentos: 1, 12 e 24 horas após inoculação oral do vírus. A análise revelou padrão temporal definido na resposta do hospedeiro. O pico de expressão gênica ocorreu em 12 horas. Houve predominância de genes ativados ao longo do período.
O intestino médio sofreu dano estrutural logo na fase inicial. Genes ligados à matriz peritrófica reduziram expressão em 1 hora. Em seguida, componentes da lâmina basal apresentaram queda em 12 horas. Esse processo indica perda de integridade da barreira intestinal. Ao mesmo tempo, genes do citoesqueleto aumentaram expressão entre 12 e 24 horas. Esse padrão sugere reorganização celular associada à infecção viral.
O estudo registrou aumento progressivo de genes ligados ao estresse do retículo endoplasmático. Houve ativação de vias de autofagia e sistema ubiquitina entre 12 e 24 horas. Esses mecanismos indicam intensificação do processamento e degradação de proteínas. A resposta sugere ajuste celular frente ao acúmulo de proteínas virais.
Na fase inicial, o inseto ativou mecanismos de desintoxicação. Transportadores ABC e enzimas UDP-glicosiltransferases apresentaram aumento de expressão em 1 hora. Esse padrão indica tentativa de eliminar compostos tóxicos. A partir de 12 horas, ocorreu mudança funcional. Enzimas antioxidantes, como glutationa S-transferase e superóxido dismutase, passaram a predominar. Esse deslocamento indica aumento do estresse oxidativo durante a infecção.
A resposta celular também envolveu morte programada. Genes ligados à apoptose aumentaram expressão logo na primeira hora. Esse mecanismo pode limitar a disseminação viral. Em fases posteriores, ocorreu ativação de vias de regeneração. Genes associados às vias Wnt, mTOR e Hippo aumentaram expressão entre 12 e 24 horas. Esse processo indica tentativa de reparo do epitélio intestinal.
O número de genes diferencialmente expressos reforça o caráter dinâmico da resposta. Foram identificados 499 genes em 1 hora, 804 em 12 horas e 750 em 24 horas. A maioria dos genes apresentou comportamento específico por fase. Apenas pequena fração manteve expressão constante ao longo do tempo.
Os dados também indicam baixa carga viral nas fases iniciais. A quantidade de leituras virais permaneceu inferior a 0,002% do total. Esse resultado confirma estágio inicial da infecção. Mesmo assim, o hospedeiro apresentou resposta molecular intensa.
A análise aponta interação complexa entre vírus e hospedeiro. O SfMNPV induz alterações estruturais e metabólicas no intestino. O inseto responde com mecanismos de defesa e reparo. Esse equilíbrio define o sucesso da infecção.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects17040401
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