Itaú BBA aponta alta do etanol e alerta para agenda tributária

Chuvas no Centro-Sul e consumo firme sustentam os preços, enquanto mudanças fiscais podem afetar a competitividade do biocombustível

19.10.2026 | 16:30 (UTC -3)
William Corrêa

Os preços do etanol seguem em trajetória de alta no Brasil, sustentados pelo consumo doméstico firme e pelas interrupções na moagem provocadas pelas chuvas no Centro-Sul. Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, a agenda tributária passou a ser o principal fator de monitoramento para o setor no curto prazo.

Na semana encerrada em 9 de outubro, o etanol hidratado nas usinas paulistas atingiu R$ 2,64 por litro, retornando aos níveis observados no início da safra. Mesmo com a valorização recente, o biocombustível manteve competitividade frente à gasolina, com paridade média de 60,7% no estado de São Paulo.

O mercado acompanha, principalmente, os efeitos das recentes mudanças tributárias. A desoneração federal da gasolina, válida até 9 de novembro, abriu espaço para possíveis reajustes nos preços do combustível fóssil, tema que deve permanecer no radar de distribuidores, produtores e consumidores.

Além do ambiente regulatório doméstico, movimentos internacionais também reforçam o potencial de crescimento da demanda por etanol. Nos Estados Unidos, a Califórnia removeu obstáculos regulatórios para a expansão do E15, enquanto a Indonésia avança nos preparativos para ampliar gradualmente a mistura de etanol na gasolina até chegar ao E50 em 2028.

"O mercado físico segue amparado por fundamentos positivos, especialmente pela menor disponibilidade provocada pelas chuvas e pelo consumo doméstico resiliente. No curto prazo, porém, as discussões tributárias ganham protagonismo e podem influenciar diretamente a competitividade do etanol frente à gasolina", afirma Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

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