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O uso de inoculante associado à redução de fertilizantes fosfatados pode elevar a produtividade do feijão no Cerrado. É o que mostra estudo conduzido pela Embrapa, que avaliou o desempenho do BiomaPhos, produto desenvolvido em parceria com a empresa Bioma, em diferentes condições de cultivo.
De acordo com a pesquisa, a aplicação do inoculante combinada com a redução de 50% na adubação fosfatada resultou em aumento médio de 17% na produtividade. A produção atingiu 4,1 mil quilos por hectare, frente aos 3,4 mil quilos por hectare observados no sistema convencional, baseado exclusivamente em fertilizantes químicos.
O desempenho é atribuído à capacidade do produto de aumentar a disponibilidade de fósforo no solo. Em regiões como o Cerrado, onde predominam solos ricos em óxidos de ferro, o nutriente tende a ficar retido, dificultando sua absorção pelas plantas. As bactérias presentes no inoculante atuam na solubilização desse fósforo, tornando-o mais acessível ao sistema radicular.
Os ensaios foram realizados ao longo de dois anos em diferentes regiões produtoras, incluindo áreas em Mafra, Santo Antônio de Goiás e Luziânia. Os experimentos compararam diferentes doses do inoculante associadas à adubação reduzida, além de tratamentos com fertilização completa e sem uso de insumos.
Segundo o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Enderson Ferreira, os resultados indicam potencial para mudanças no manejo nutricional da cultura. “O inoculante foi eficaz na promoção do desenvolvimento do feijão e no aumento da produtividade, mesmo com a fertilização fosfatada reduzida em 50%, mostrando-se uma alternativa viável para otimizar o uso de fertilizantes”, afirma.
A melhor resposta foi observada na dose de 4 mL por quilo de sementes, que proporcionou incremento de 17% em relação à adubação completa e de 31% frente ao cultivo sem fertilizantes e sem inoculante.
Além do rendimento, o uso do BiomaPhos também resultou em melhorias agronômicas, como aumento da massa de raízes e parte aérea, maior número de vagens e grãos e maior acúmulo de fósforo pelas plantas.
Apesar dos resultados positivos, o pesquisador ressalta que o uso isolado do inoculante não garante o suprimento adequado do nutriente. Fatores como acidez do solo, baixa disponibilidade de cálcio, presença de alumínio e condições de umidade podem limitar a absorção. Por isso, práticas de manejo, como a correção da acidez com calcário, seguem fundamentais para o bom desempenho da cultura.
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