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A combinação entre o aumento da dependência de importações de trigo, a pressão global sobre commodities e a elevação dos custos de insumos provocada pela guerra no Oriente Médio coloca os moinhos do Paraná em alerta. O estado abriga o maior parque moageiro do Brasil e responde por 30% da produção nacional de farinha de trigo.
Para discutir esse cenário e os fatores que influenciam a competitividade do setor, o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) vai reunir representantes da cadeia do trigo no workshop Moatrigo, marcado para 13 de abril, no Centro de Convenções da Fiep, em Curitiba.
A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli (na foto), avalia que o segmento entrou em 2026 diante de um quadro que exige atenção contínua — da oferta de matéria-prima ao avanço dos custos operacionais, passando por desafios estruturais que impactam diretamente a indústria.
O recuo na área cultivada com trigo no Paraná se intensificou nos últimos anos. “A disponibilidade da matéria-prima no estado e no país de um modo geral está cada vez menor”, afirma Paloma. “Garantir abastecimento com qualidade adequada ao padrão industrial se torna uma preocupação não apenas do setor, mas de segurança alimentar”, comenta, lembrando que muitos países tratam o trigo como questão estratégica, já que 20% da alimentação humana tem o cereal como base.
Com a produção interna abaixo da demanda, o Paraná deve importar cerca de 1,3 milhão de toneladas de trigo em 2026. A Argentina segue como principal fornecedora, mas a demanda global aquecida e o encarecimento logístico pressionam custos e reduzem previsibilidade.
O setor enfrenta também os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio, que afeta diretamente o trigo e outras commodities. O petróleo, impactado pelo agravamento da tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos, encarece fretes e insumos em toda a cadeia logística. A elevação dos preços dos fertilizantes já preocupa produtores e moinhos, que também sentem aumento superior a 25% no custo das embalagens, reflexo direto do cenário internacional.
“Estamos vivendo uma pressão generalizada sobre as commodities”, observa Venturelli. “Desde o início do conflito, o trigo subiu no mercado nacional e internacional, e essa tendência deve se manter até a próxima safra.”
O custo do frete marítimo teve aumento expressivo. Somado ao diesel que encarece o frete — segundo maior custo dos moinhos — cria um efeito cascata que chega ao produto final. Mesmo que o conflito arrefeça, os reflexos permanecem por meses.
Para Paloma Venturelli, a competitividade passa por gestão rigorosa e visão estratégica. Ela avalia que a indústria paranaense intensificou investimentos em modernização de plantas, substituição de máquinas antigas por soluções de maior eficiência e foco em qualidade para manter estabilidade e padronização.
“O padrão de qualidade é o principal diferencial competitivo dos moinhos”, destaca. “A expertise em mesclas, extração e estabilidade do produto final permite enfrentar períodos de volatilidade sem comprometer a entrega ao cliente.”
O estado também se destaca por investimentos recorrentes na atualização do parque industrial, com inaugurações e reformas que mantêm o Paraná na liderança do país.
Ao mesmo tempo, gargalos estruturais continuam a pressionar o setor: a precariedade da infraestrutura rodoviária e a insuficiência de armazenagem em silos prejudicam tanto produtores quanto moinhos. A reforma tributária e o possível fim da escala 6x1 também preocupam pela elevação potencial dos custos de mão de obra.
Com a indústria moageira pressionada por variáveis internas e externas, o workshop Moatrigo 2026 se apresenta como um ambiente para aprofundar diagnósticos e construir caminhos. Na última edição, em 2025, o evento teve vagas esgotadas, com mais de 400 participantes.
“O que torna o Moatrigo especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências”, afirma Paloma.
A programação deste ano traz o Painel do Trigo Nacional, com Daniel Kümmel (Abitrigo), Elcio Bento (Safras & Mercado) e Eduardo Bulgarelli (Bunge), que apresentam dados atualizados, leitura de safra e perspectivas para o próximo ciclo.
Entre as palestras, destaque para A Tríade da Performance, com Wellington Moreira; e Pense com IA – Conectando Inteligência Artificial à Tomada de Decisão e à Produtividade na Gestão, conduzida por Gustavo Melles.
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