Herbicidas hormonais elevam risco de fitotoxicidade em algodão

Uso inadequado de 2,4-D e dicamba amplia conflitos produtivos na Argentina

03.02.2026 | 16:12 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Aapresid

Casos recentes de fitotoxicidade em algodão reacendem o alerta sobre o uso de herbicidas hormonais na agricultura argentina. Levantamento da Rede de Manejo de Pragas da Aapresid identifica danos associados a aplicações inadequadas desses produtos.

Herbicidas hormonais como 2,4-D, dicamba e picloram sustentam o controle de plantas daninhas de folha larga. O aumento da frequência de uso e a ampliação da janela de aplicação, impulsionadas por biotecnologias tolerantes, ampliaram o risco de volatilização e deriva. O problema se intensifica nos meses mais quentes.

O algodão figura entre os cultivos mais sensíveis, mesmo sob exposições a doses extremamente baixas. Danos em estádios avançados reduzem a capacidade de recuperação e ampliam perdas produtivas. Girassol, leguminosas, videira, frutíferas, hortaliças e soja não tolerante também aparecem na lista de culturas afetadas.

Esses herbicidas imitam auxinas e induzem crescimento descontrolado em plantas suscetíveis. A sintomatologia inclui folhas em “cucharita”, pecíolos e caules retorcidos, redução do crescimento, encurtamento de entrenós, aborto floral e deformações reprodutivas. No algodão, a malformação foliar conhecida como “pata de rã” ou “em leque” caracteriza a injúria, com aborto de botões e deformação de cápsulas.

Exposição ao risco

A maior exposição ao risco decorre de aplicações sob condições ambientais críticas. Temperaturas elevadas, baixa umidade relativa, ventos e inversões térmicas favorecem o movimento fora do alvo. Formulações mais voláteis, como ésteres, ampliam o potencial de dano, enquanto ácidos e sais reduzem o risco.

O avanço de conflitos produtivos impulsionou regulações provinciais. Chaco adotou restrições temporais. Outras províncias avançaram com zonas de exclusão, amortecimento, limites por condição ambiental e exigência de receita agronômica. O debate regulatório segue ativo.

A Aapresid aponta a qualidade de aplicação como eixo central da prevenção. O manejo recomenda aplicações apenas sob clima adequado, escolha de formulações menos voláteis, uso de bicos e pressões que reduzam gotas finas, altura correta, respeito a distâncias de segurança e limpeza rigorosa dos equipamentos.

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