Fungo pode controlar daninhas e doenças em cereais

Pesquisadores avaliam potencial de Sclerotinia sclerotiorum como bioherbicida e agente de proteção contra doenças fúngicas

05.11.2026 | 15:55 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Clarissa Balbalian / Mississippi State University - Bugwood
Foto: Clarissa Balbalian / Mississippi State University - Bugwood

O fungo Sclerotinia sclerotiorum, conhecido por causar doenças em diversas culturas agrícolas, apresenta potencial para controlar plantas daninhas e proteger cereais contra patógenos. Análise reuniu evidências de sua dupla função e propõe o desenvolvimento de um produto biológico para pastagens e lavouras de cereais.

Pesquisadores da Nova Zelândia e da China avaliaram resultados de estudos conduzidos nas últimas décadas. O fungo apresenta comportamento patogênico em plantas dicotiledôneas, mas pode colonizar gramíneas sem provocar sintomas. Essa associação favorece o crescimento vegetal e aumenta a resistência a doenças.

Ação do fungo

Experimentos em pastagens da Nova Zelândia registraram reduções de 48% a 81% nas populações de Cirsium arvense. Outros ensaios demonstraram controle de Ranunculus acris, com reduções de 13% a 63% na cobertura da planta daninha a partir de grãos de trigo ou cevada colonizados pelo fungo, e de 57% com gel miceliano. Nesses testes, o tratamento biológico superou o MCPB e ficou pouco abaixo do MCPA.

Em cereais, o fungo coloniza raízes, caules e folhas de trigo, milho, arroz, aveia e cevada. Estudos anteriores registraram redução da severidade da giberela, da podridão basal e da ferrugem-estriada no trigo. No arroz, ocorreu proteção contra a brusone, causada por Magnaporthe oryzae. Os experimentos também apontaram aumentos de 15% a 30% na biomassa e na produtividade de grãos, conforme a cultura e as condições de cultivo.

Problema no uso

O principal obstáculo envolve a biossegurança. Sclerotinia sclerotiorum infecta mais de 700 espécies vegetais e produz escleródios capazes de sobreviver durante anos no solo. Em pastagens permanentes, os autores consideram o risco administrável com zonas de segurança de 50 metros em áreas de ovinos, dispensadas em pastagens leiteiras, e carência de cerca de quatro anos antes da semeadura de cultura suscetível. A preocupação se concentra em pastagens de curta duração e cereais anuais cultivados em rotação ou vizinhança de dicotiledôneas suscetíveis, onde a aplicação poderia ampliar riscos de doenças.

Os pesquisadores propõem desenvolver linhagens incapazes de formar escleródios, mas com capacidade preservada de controlar plantas daninhas e proteger cereais. Mutantes obtidos por radiação ultravioleta e agentes químicos perderam virulência contra Cirsium arvense, o que ainda limita a estratégia. Linhagens que formem escleródios de baixa sobrevivência no solo ou com pouca capacidade de germinação carpogênica também são consideradas.

O desenvolvimento comercial depende de avanços na produção industrial, formulação, estabilidade e avaliação de riscos. Os microescleródios surgem como alternativa para reduzir custos e facilitar a fabricação, mas a produção em meio líquido alcança cerca de 4,5 mil unidades por mililitro e precisaria crescer dez vezes para uso industrial. O único produto à base de Sclerotinia já comercializado foi o Sarritor, com Sclerotinia minor para daninhas de gramados, registrado temporariamente no Canadá em 2008 e retirado em seguida por dificuldades de produção em escala e desempenho inconsistente a campo (doi 10.1002/ps.71437).

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