Extrato foliar de picão-preto inibe crescimento de plantas daninhas

Estudo aponta maior ação sobre raízes e seleciona compostos para pesquisas com bioherbicidas

13.07.2026 | 15:00 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
DOI 10.1016/j.napere.2026.100215
DOI 10.1016/j.napere.2026.100215

Extratos das folhas de picão-preto (Bidens pilosa) apresentaram maior atividade fitotóxica sobre três espécies de plantas daninhas e uma espécie bioindicadora. O efeito atingiu principalmente o crescimento das raízes. A análise química identificou altas concentrações de compostos fenólicos e flavonoides nas folhas. Os resultados indicam potencial para pesquisas voltadas ao desenvolvimento de bioherbicidas.

O estudo avaliou extratos de folhas, flores e caules contra grama-seda (Cynodon dactylon), capim-arroz (Echinochloa crus-galli), arroz-vermelho (Oryza sativa f. spontanea) e Brassica integrifolia (DOI 10.1016/j.napere.2026.100215). Os pesquisadores também analisaram a composição fitoquímica das partes vegetais e realizaram simulações computacionais com enzimas relacionadas à germinação.

Extratos foliares

Os extratos foliares produziram a resposta mais intensa e mais consistente. A atividade seguiu, em geral, a ordem folhas, flores e caules. As raízes mostraram maior sensibilidade em comparação com a parte aérea das plântulas.

Na grama-seda, o extrato das folhas alcançou 91,97% de inibição radicular na concentração de 30 miligramas por mililitro. A concentração de 50 miligramas por mililitro inibiu totalmente o crescimento das raízes. O valor de EC50, correspondente à concentração necessária para reduzir o crescimento pela metade, atingiu 16,43 miligramas por mililitro. O EC95 ficou em 32,22 miligramas por mililitro.

A inibição da parte aérea da grama-seda exigiu concentrações maiores. O EC50 alcançou 28,82 miligramas por mililitro. O EC95 chegou a 51,60 miligramas por mililitro.

O extrato foliar também apresentou baixos valores de EC95 para a inibição das raízes das demais espécies. Os valores chegaram a 57,18 miligramas por mililitro em Echinochloa crus-galli, 84,30 miligramas por mililitro em Oryza sativa f. spontanea e 98,33 miligramas por mililitro em Brassica integrifolia.

Tolerância aos tratamentos

A tolerância aos tratamentos variou entre as espécies. A grama-seda apresentou maior sensibilidade. Na sequência apareceram Brassica integrifolia, o arroz-vermelho e o capim-arroz. Este último mostrou a maior tolerância entre as plantas avaliadas, embora o extrato foliar tenha causado forte inibição das raízes nas maiores concentrações.

Os extratos do caule demonstraram menor regularidade. Em alguns tratamentos com baixas concentrações, os pesquisadores observaram estímulo ao crescimento. O comportamento caracteriza uma resposta hormética, na qual doses reduzidas estimulam processos biológicos, enquanto doses maiores provocam inibição.

A composição química ajudou a explicar as diferenças entre as partes da planta. As folhas apresentaram 45,32 miligramas de compostos fenólicos por grama de massa seca. O teor de flavonoides alcançou 17,06 miligramas por grama de massa seca. Os terpenoides chegaram a 9,39 miligramas por grama de massa seca.

Menores teores

Os caules registraram os menores teores de fenólicos e flavonoides, com 11,70 e 5,94 miligramas por grama de massa seca, respectivamente. Essa parte da planta apresentou o maior teor de alcaloides, com 3,74 miligramas por grama de massa seca.

A triagem fitoquímica encontrou fenólicos e alcaloides nos três órgãos. As folhas reuniram o perfil mais diverso. O material continha altos níveis de flavonoides, taninos, quinonas e terpenoides. As folhas também formaram a única parte com detecção de cumarinas. Saponinas, antocianinas e aminoácidos não apareceram nas análises.

Distribuição dos polifenóis

A cromatografia líquida identificou diferenças na distribuição dos polifenóis. As folhas apresentaram 593,93 microgramas de epicatequina por grama de massa seca, 207,93 microgramas de ácido verátrico por grama de massa seca e 141,18 microgramas de ácido clorogênico por grama de massa seca.

Nas flores, os principais compostos quantificados incluíram catequina, com 332,81 microgramas por grama de massa seca, e galato de epigalocatequina, conhecido pela sigla EGCG, com 298 microgramas por grama de massa seca. Os caules apresentaram menor diversidade de compostos quantificáveis.

Os valores cromatográficos representam concentrações extraíveis sob as condições padronizadas do estudo. O trabalho não aplicou correção de recuperação. Por esse motivo, os dados permitem comparações entre os extratos, mas não representam concentrações absolutas nos tecidos vegetais.

Possíveis interações

Os pesquisadores selecionaram 12 aleloquímicos e avaliaram, por modelagem molecular, possíveis interações com oito enzimas hidrolíticas ligadas à germinação. O EGCG e o ácido clorogênico apresentaram os perfis de ligação mais favoráveis.

O EGCG mostrou interações previstas com beta-amilase, invertase, lipase e carboxipeptidase. As energias calculadas variaram de menos 9,0 a menos 9,6 quilocalorias por mol. O ácido clorogênico apresentou resultados favoráveis com carboxipeptidase, invertase e beta-amilase.

As simulações indicam hipóteses para novos experimentos. Elas não comprovam a inibição das enzimas. O estudo recomenda bioensaios com compostos purificados, testes diretos de atividade enzimática e quantificação química com correção de recuperação.

A combinação dos bioensaios, das análises químicas e da modelagem molecular coloca as folhas de Bidens pilosa como fonte prioritária para investigações sobre bioherbicidas. A confirmação do uso agrícola ainda depende de estudos sobre eficácia, mecanismos de ação, seletividade e formulação.

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