Excesso de umidade aumenta risco de doenças no trigo no RS

EarthDaily aponta boas condições das lavouras, mas alerta para chuvas e solos úmidos nas próximas semanas

14.08.2026 | 15:09 (UTC -3)
Janete Galbiati

As chuvas registradas nos últimos dez dias mantiveram a umidade do solo elevada em importantes regiões produtoras brasileiras. Os acumulados ficaram acima da média no Sul, em áreas de Mato Grosso do Sul e em partes de São Paulo e do Nordeste. De acordo com dados de sensoriamento remoto da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola com imagens de satélites, os maiores volumes foram observados na região Sul, onde a precipitação superou 100 milímetros em algumas localidades.

“O comportamento das chuvas e das temperaturas merece atenção especialmente nas áreas produtoras de trigo do Sul do país. Na comparação entre a primeira e a segunda semana de agosto, houve uma mudança significativa no padrão térmico da região. Enquanto na primeira semana foram registradas temperaturas de até 5°C acima da média, na segunda semana os termômetros passaram a registrar valores de até 5°C abaixo da normalidade”, explica Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.

No Rio Grande do Sul, uma onda de frio atingiu o estado no último fim de semana, com temperaturas abaixo de 5°C. Apesar da queda, as condições não representam, até o momento, motivo de preocupação para o potencial produtivo das lavouras.

Temperatura no Rio Grande do Sul
Temperatura no Rio Grande do Sul

Condições semelhantes foram observadas na temporada passada, quando a produtividade foi satisfatória. Além disso, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) permanece acima dos níveis registrados no ciclo anterior, sugerindo impactos limitados sobre o potencial produtivo.

No Sudoeste do estado o NDVI apresenta boa dinâmica da vegetação e condições satisfatórias das lavouras. O elevado volume de chuvas, entretanto, permanece como ponto de atenção. A persistência de condições úmidas pode aumentar a pressão de doenças nas lavouras e, eventualmente, limitar o potencial produtivo.

NDVI na Região Sul
NDVI na Região Sul

No Paraná, as chuvas permanecem também acima da média, especialmente desde julho. O comportamento observado já sinaliza impactos associados ao El Niño, embora os anos utilizados como referência apontam diferenças importantes.

Em 2015, os acumulados de chuva já eram significativamente superiores aos atuais nesta mesma fase do ciclo. Em 2023, por outro lado, as precipitações permaneceram mais contidas durante a primeira metade do período e aumentaram de maneira mais expressiva posteriormente.

A divergência entre esses anos análogos mostra que o sinal do El Niño sobre a precipitação no Paraná é menos consistente do que no Rio Grande do Sul, reforçando a necessidade de acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses.

Precipitação acumulada - Sul
Precipitação acumulada - Sul

Tempo seco favorece avanço da colheita da cana-de-açúcar

Nas regiões produtoras de cana-de-açúcar, o cenário é diferente. Em agosto, até o momento, as chuvas permaneceram muito baixas na maior parte da zona canavieira brasileira. O predomínio do tempo seco tem favorecido o avanço das operações de campo.

“Houve, entretanto, interrupções pontuais. No Paraná, em Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, foram registradas chuvas superiores a 11 milímetros em 7 de agosto, condição que pode ter limitado temporariamente a colheita da cana-de-açúcar. Nos demais dias do mês, porém, a precipitação permaneceu baixa, permitindo a continuidade das operações”, salienta Felippes Reis, analista de culturas da EarthDaily.

Precipitação em São Paulo
Precipitação em São Paulo

Previsões indicam novas chuvas no Sul e temperaturas acima da média

Nos próximos dias, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o norte-americano GFS indicam volumes expressivos de chuva para a região Sul. Os acumulados previstos, entretanto, deverão ser menores do que os registrados nas últimas semanas.

Os dois modelos também projetam o fortalecimento de um padrão de temperaturas acima da média, com valores que poderão ficar entre 3°C e 7°C acima da normalidade.

Na comparação entre os últimos dez dias e os próximos dez dias, a tendência é de que a umidade do solo continue acima da média na maior parte das regiões produtoras de trigo. O cenário mantém condições hídricas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, mas o excesso de umidade exige acompanhamento.

A permanência de solos úmidos, combinada à ocorrência frequente de chuvas, pode favorecer o desenvolvimento de doenças nas áreas de trigo. Assim, embora os indicadores de vegetação apontem atualmente condições satisfatórias, a evolução das precipitações e da umidade continuará sendo um dos principais fatores de atenção para o potencial produtivo da cultura nas próximas semanas.

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