Desafios da safra reforçam importância da semente certificada

Tecnologia, vigor e sanidade das sementes são apontados como fatores estratégicos para reduzir riscos e preservar produtividade

21.08.2026 | 14:49 (UTC -3)
Nátalie Luna

A agricultura moderna exige cada vez mais planejamento. A escolha da semente deixa de ser apenas a primeira etapa da safra para se consolidar como uma das principais decisões estratégicas do produtor rural.

No Dia da Semente, celebrado em 21 de agosto, a Amssoja Brasil – Associação dos Multiplicadores de Sementes de Soja do Brasil – destaca que a tecnologia embarcada nas sementes certificadas representa um dos principais instrumentos para aumentar a eficiência da produção e reduzir riscos em um momento de maior pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Essa percepção é reforçada pelo relatório Agro Conjuntura Céleres – Julho de 2026, que aponta um ambiente desafiador para a safra 2026/27. Mesmo com uma leve recuperação dos preços futuros da soja, há previsão de ocorrência do fenômeno El Niño que amplia a preocupação com perdas de produtividade, principalmente na região do Matopiba. Ao mesmo tempo, o crédito permanece restrito, exigindo ainda mais gestão na tomada de decisão.

Apesar desse cenário, um dado chama a atenção: a comercialização de sementes já alcança cerca de 80% da demanda prevista para a próxima safra, indicando que o produtor continua priorizando a qualidade do principal insumo da lavoura, mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.

A safra começa muito antes do plantio

Para o presidente da Amssoja Brasil, André Schwening, compreender o valor da semente é compreender a própria evolução da agricultura brasileira. "Tudo começa na semente. Não há sojicultura sem semente de soja. É ela que impulsiona o crescimento da cultura por meio da genética, da biotecnologia e da inovação", afirma. 

Como consequência, a semente representa anos de pesquisa, desenvolvimento e investimento realizados por empresas obtentoras e os multiplicadores, tornando-se o elo que conecta ciência e produtividade no campo.

"O produtor colhe os resultados de um trabalho que começa muitos anos antes da safra. O desenvolvimento de uma cultivar envolve pesquisa, validação, testes e um processo criterioso de multiplicação para que a tecnologia chegue ao campo com qualidade e segurança", destaca Schwening.

Mais eficiência em um cenário de maior risco

Os desafios para a safra 26/27 reforçam essa necessidade de eficiência. A combinação entre margens mais estreitas, maior seletividade na concessão de crédito, excesso de capacidade instalada no setor de sementes e os riscos climáticos previstos exige que cada decisão tomada pelo produtor contribua para maximizar o potencial produtivo da lavoura. Nesse contexto, a semente certificada ganha ainda mais protagonismo.

"Uma boa genética, aliada à qualidade fisiológica da semente, está diretamente relacionada ao desempenho da lavoura e ao resultado final obtido pelo produtor”, reforça o presidente.  

A perspectiva vem de encontro com o compromisso dos multiplicadores associados da Amssoja Brasil. Afinal, investir em sementes certificadas significa empregar tecnologia, vigor, sanidade, rastreabilidade e segurança, fatores que se tornam ainda mais relevantes quando o ambiente econômico oferece pouco espaço para perdas.

A tecnologia continua avançando

Segundo dados da Céleres a adoção do Tratamento Industrial de Sementes (TSI) continua crescendo e já representa mais de 50% das sementes comercializadas no país, consolidando-se como uma importante ferramenta para proteger o potencial produtivo logo nas primeiras fases do desenvolvimento da cultura.

“Parte relevante da margem da certificação de sementes está no TSI. No cenário atual de margens reduzidas, agregar valor à semente é uma alavanca importante para o mercado, e o agricultor também reconhece o valor desse processo", pontua o especialista Enislon Nogueira, consultor de mercados agrícolas.

Para a associação essa evolução demonstra que o mercado continua investindo em soluções capazes de entregar maior desempenho ao produtor, mesmo em um ambiente de maior cautela econômica.

Um setor que olha para o futuro

Além dos desafios conjunturais, a cadeia produtiva acompanha discussões importantes para fortalecer sua competitividade, como a modernização da legislação de proteção de cultivares, o combate às sementes ilegais e o estímulo contínuo à inovação.

Para André Schwening, o futuro da sojicultura brasileira passa necessariamente pela valorização da pesquisa, da propriedade intelectual e do trabalho desenvolvido pelos multiplicadores de sementes de soja. "Os desafios fazem parte da agricultura. O diferencial estará na capacidade do setor de continuar investindo em inovação, planejamento e profissionalização para entregar tecnologia ao produtor", explica. 

Ele ainda ressalta que a semente não representa apenas o início de uma nova safra, mas o resultado de uma cadeia altamente especializada, responsável por transformar ciência em produtividade e contribuir diretamente para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Neste Dia da Semente, a mensagem da Amssoja Brasil é clara: quando o cenário exige mais eficiência, a qualidade da semente deixa de ser um diferencial e passa a ser uma estratégia essencial para construir uma agricultura mais produtiva, sustentável e preparada para os desafios do futuro.

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