Custos operacionais mantêm fretes agropecuários em alta

Cotações do diesel e de outros insumos logísticos têm impedido redução mais significativa nos valores, aponta Conab

01.06.2026 | 14:22 (UTC -3)
Conab, edição Revista Cultivar

Os elevados custos operacionais do transporte agropecuário, especialmente os relacionados ao diesel e a insumos logísticos, seguem pressionando os preços dos fretes no país. A avaliação consta na edição de maio do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo a estatal, o cenário tem impedido uma redução mais significativa nos valores cobrados pelo transporte de cargas agrícolas, mesmo com oscilações pontuais entre março e abril em algumas regiões produtoras.

De acordo com o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o preço do combustível continua sendo o principal fator de sustentação dos fretes em patamares elevados na comparação anual. Ele destaca que medidas adotadas pelo governo federal, como a isenção de impostos sobre o diesel, ajudaram a amenizar os impactos da alta internacional do petróleo.

Em Mato Grosso, principal produtor de grãos do país, os fretes apresentaram estabilidade, mantendo níveis considerados altos para o período. Em Mato Grosso do Sul, após a pressão logística no pico da colheita da soja, o mercado mostrou acomodação, mas a demanda por transporte segue firme devido ao ritmo das exportações.

Em Goiás, houve redução mensal nas cotações do transporte de grãos, embora o custo do combustível permaneça cerca de 15% acima do registrado em abril de 2025. No Distrito Federal, a Conab observou aumento nos preços em todas as rotas pesquisadas.

No Paraná, as variações foram pontuais, com pressão de custos influenciada pela instabilidade geopolítica global. Já na Bahia, os fretes subiram nas regiões de cultivo primavera/verão e recuaram nas áreas de produção outono/inverno.

No Maranhão, apesar do avanço da colheita da soja e do transporte intenso para exportação e mercado interno, os preços dos fretes recuaram na maioria das rotas analisadas entre março e abril. Segundo a Conab, medidas de subvenção ao diesel e reforço da oferta do combustível contribuíram para limitar novas altas.

O Piauí registrou aquecimento no mercado de fretes, impulsionado pelas exportações de soja, embora os preços médios tenham permanecido estáveis. Em São Paulo, os fretes tiveram leve queda em abril após forte alta no mês anterior, reflexo da combinação entre demanda elevada e políticas de incentivo ao diesel.

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