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Cruzamentos entre indivíduos aparentados reduziram a capacidade reprodutiva e a sobrevivência do tripes Frankliniella occidentalis. Pesquisa identificou queda de até 61,3% na produção total de ovos e aumento das deformações morfológicas ao longo de três gerações. Os resultados indicam possíveis aplicações no manejo integrado dessa praga agrícola.
O pesquisador Wondimagegn Atilaw Woldemelak, da Universidade de Debre Berhan, na Etiópia, avaliou dois sistemas de consanguinidade: cruzamentos entre irmãos e entre mães e filhos. O experimento acompanhou três gerações, com 20 linhagens independentes por tratamento e geração. A primeira geração veio de pais não aparentados, e as duas seguintes, de cruzamentos consanguíneos.
Na terceira geração, a produção média de ovos por fêmea ao longo da vida caiu de 101, no grupo controle, para 60,72 nos cruzamentos entre irmãos e para 39,10 nos cruzamentos entre mães e filhos.
A segunda postura apresentou perdas ainda maiores. A quantidade de ovos caiu 49,6% nos cruzamentos entre irmãos e 81,8% entre mães e filhos. Neste último grupo, a produção de ninfas recém-eclodidas na segunda postura diminuiu 85,4%.
A consanguinidade também comprometeu a sobrevivência. Na terceira geração de cruzamentos entre mães e filhos, apenas 25% das fêmeas e 41,4% dos machos sobreviveram. Nesse grupo, as deformações morfológicas atingiram 32,2% dos insetos, incluindo alterações nas asas, antenas e segmentos corporais. No grupo controle, a taxa ficou abaixo de 0,5%.
No mesmo grupo, a taxa intrínseca de crescimento populacional caiu de 0,185 por dia, no controle, para 0,024 por dia, redução de 87%. O tempo médio entre gerações aumentou de 21,05 para 34,60 dias.
Segundo o estudo, o isolamento de populações pode intensificar a consanguinidade e comprometer sua persistência. Os resultados também sugerem maior vulnerabilidade a inimigos naturais e menor velocidade de evolução da resistência a inseticidas. O trabalho foi realizado em laboratório, e o autor recomenda confirmar os resultados em populações de campo (doi 10.1093/jisesa/ieag121).
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