Congresso da Abramilho apresenta dados e perspectivas do setor

Crédito rural mais acessível, defesa da tecnologia e novas matérias-primas para etanol foram alguns dos temas

13.05.2026 | 15:44 (UTC -3)
Revista Cultivar

O 4º Congresso Abramilho reuniu, nesta terça-feira (13/05), em Brasília, representantes do governo, parlamentares, produtores e lideranças do agronegócio para discutir crédito rural, custos de produção, segurança alimentar e inovação tecnológica. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participaram da abertura do evento. No painel, entidades do setor cobraram melhorias no Plano Safra e medidas para reduzir a pressão financeira sobre os produtores.

Alckmin ouviu as demandas apresentadas no congresso e indicou abertura para discutir o crédito rural. O vice-presidente citou a criação de um fundo garantidor como possível caminho para ampliar o acesso ao financiamento. Ele não anunciou medidas para o Plano Safra, mas afirmou disposição para atuar como interlocutor do setor junto ao governo federal.

Durante a abertura, Alckmin também tratou da ampliação da mistura de etanol na gasolina. Segundo ele, a elevação do percentual de 30% para 32% caminha para avançar. O vice-presidente destacou o etanol de milho e apontou ganhos ambientais e econômicos associados ao biocombustível.

O ministro André de Paula afirmou concordância com as demandas apresentadas pelo setor. Ele adotou tom cauteloso e disse que defenderá as pautas junto ao governo federal. Segundo o ministro, o tema envolve diferentes áreas da administração pública.

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, fez um balanço positivo sobre o crescimento da produção de milho. "Hoje somos o terceiro maior produtor mundial, o segundo maior exportador. Isso foi feito graças à qualidade do nosso agricultor, ao uso intenso de tecnologia, biotecnologia, correção de solo com calcário, práticas como plantio direto, mecanização e outras", disse.

O avanço da segunda safra nos últimos anos abre perspectiva de fornecimento confiável do mercado brasileiro e possibilidade de um excedente de produção para exportação. "Mais de 140 países ao redor do mundo consomem o nosso milho, atestando a sua qualidade e também o processo sustentável como ele é produzido", explicou Bertolini

Ele também citou o sorgo como alternativa para a produção de etanol. O grão apresenta maior tolerância à seca e menor custo de produção. A cultura pode avançar em áreas onde a janela de plantio do milho ficou mais estreita, com possíveis vantagens competitivas ao produtor.

A senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), descreveu um cenário de pressão simultânea sobre o agronegócio. Ela citou guerras, queda nos preços das commodities, insumos caros e juros elevados no Brasil. Para a senadora, o setor enfrenta uma crise com efeitos ainda em curso.

O deputado federal Pedro Lupion, presidente da FPA, criticou o Plano Safra. Segundo ele, o programa não acompanha a realidade do produtor. Lupion defendeu o avanço de formas privadas de custeio como complemento ao crédito público. O painel também abordou o Prodes, sistema de monitoramento da supressão de vegetação, e possíveis impactos da escala 6x1 no campo.

Ciência e tecnologia

O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, defendeu investimento em ciência e tecnologia como base para o futuro da agricultura. A mesa discutiu o tema “Inovação que alimenta o mundo: o futuro da segurança alimentar”.

Zhu Qingqiao afirmou que a agricultura sustenta a estabilidade social e econômica dos países. Ele apontou mudanças climáticas e conflitos internacionais entre os principais desafios para a produção de alimentos. O embaixador disse ainda que a China pretende impulsionar um sistema agrícola moderno, de alta qualidade e sustentável, com apoio da ciência e da tecnologia.

O representante chinês também destacou a relação comercial entre Brasil e China. Segundo ele, a China ocupa a posição de maior mercado das exportações agrícolas brasileiras. Zhu defendeu maior cooperação entre os dois países e afirmou que ambos precisam atuar na mesma direção.

A biotecnologia teve papel central no painel. Mario Murakami, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, afirmou que a adição gênica, vista com dúvidas há dez anos, hoje integra a realidade produtiva. Segundo ele, a técnica contribui para ampliar a produção com segurança e resulta de construção coletiva e contínua.

Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho, relacionou biotecnologia à estabilidade produtiva. Ele afirmou que tecnologias perdem eficácia ao longo do tempo, pois pragas e plantas daninhas desenvolvem resistência. Por isso, o desenvolvimento de novas soluções precisa ocorrer de forma permanente.

Silveira também citou a expectativa de avanço em um protocolo de reconhecimento mútuo de aprovações de biotecnologias entre Brasil e China. Segundo ele, a medida daria mais segurança ao produtor brasileiro na adoção de variedades já liberadas no mercado nacional.

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