Compostos de joaninha reduzem população de pulgões

Mistura sintética alterou a escolha das plantas e a reprodução de Myzus persicae em testes controlados

21.10.2026 | 06:25 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Jon Yuschock / Bugwood
Foto: Jon Yuschock / Bugwood

Uma mistura sintética de compostos presentes no odor da joaninha Harmonia axyridis reduziu em 27% a população do pulgão-verde-do-pessegueiro (Myzus persicae) após 14 dias de exposição em casa de vegetação. O tratamento também provocou comportamento de evitação e reduziu a produção de ninfas. Não foram observadas alterações significativas na sobrevivência dos insetos nem na formação de indivíduos alados.

As conclusões são de estudo que reuniu pesquisadores da Pennsylvania State University e da Montana State University, nos Estados Unidos. A equipe investigou os efeitos não consumptivos da predação. Esse fenômeno ocorre quando sinais associados a inimigos naturais modificam o comportamento, a fisiologia ou a reprodução das presas, mesmo sem contato físico com o predador.

Três metoxipirazinas

Os cientistas prepararam uma mistura com três metoxipirazinas associadas ao odor de Harmonia axyridis: 2-isopropil-3-metoxipirazina, 2-sec-butil-3-metoxipirazina e 2-isobutil-3-metoxipirazina. A formulação procurou reproduzir as proporções naturais desses compostos e uma emissão equivalente à de cinco joaninhas adultas. Os experimentos utilizaram a couve (Brassica oleracea var. viridis) como planta hospedeira.

Nos testes de escolha com olfatômetro em formato de Y, indivíduos ápteros e alados preferiram os odores de plantas sem a mistura sintética. Entre os pulgões que fizeram uma escolha, 70,5% dos ápteros e 77% dos alados seguiram para o braço controle. As diferenças apresentaram significância estatística. Os resultados indicam resposta de evitação aos compostos associados ao predador.

Efeito na reprodução

O efeito também apareceu na reprodução. Em ensaio com folhas destacadas, pulgões ápteros expostos à mistura produziram, em média, 3,8 ninfas por indivíduo durante quatro dias. No grupo controle, a média chegou a 6,8 ninfas. A diferença apresentou significância estatística. Entre os adultos alados, as médias alcançaram 5,1 e 5,5 ninfas, respectivamente, sem diferença significativa entre os tratamentos.

Em casa de vegetação, os pesquisadores instalaram cinco pulgões adultos sobre cada planta de couve e compararam tratamentos com a mistura e com o solvente utilizado como controle. Cada grupo contou com dez repetições. Difusores liberaram os voláteis próximo à base das plantas, com substituição a cada 48 horas. A equipe avaliou a população aos sete e aos 14 dias.

No sétimo dia, o tratamento apresentou médias inferiores de ninfas e de população total, mas as diferenças não alcançaram significância estatística. Após 14 dias, as plantas expostas à mistura registraram, em média, 85,5 ninfas, contra 124 nas plantas controle, com diferença significativa. A população total de pulgões ficou 27% menor no tratamento com metoxipirazinas, também com diferença estatisticamente significativa.

Efeitos na sobrevivência

A exposição não alterou de forma significativa a sobrevivência de ninfas, adultos ápteros ou adultos alados nos períodos avaliados. Também não aumentou significativamente a produção de indivíduos alados em casa de vegetação. Esse resultado interessa ao manejo fitossanitário porque a forma alada facilita a dispersão dos pulgões entre plantas e a transmissão de vírus. O estudo, porém, não avaliou diretamente a transmissão de viroses.

Os pesquisadores consideram os compostos uma possibilidade para estratégias de manejo integrado de pragas baseadas em semioquímicos. Contudo, os resultados ainda não demonstram eficácia em condições de campo. A mistura representa apenas parte do perfil de odores da joaninha, e os difusores podem liberar substâncias de maneira diferente dos insetos vivos.

Outra limitação envolve a origem da redução na fecundidade. Os dados não permitem distinguir completamente uma resposta ao risco percebido de predação de possíveis efeitos fisiológicos subletais dos compostos. A equipe recomenda testar diferentes doses, acompanhar mais gerações e avaliar a persistência dos voláteis, possíveis respostas de habituação e efeitos sobre artrópodes não alvo em lavouras (doi 10.1093/jisesa/ieag113).

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