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Os preços médios nacionais de três combustíveis ficaram praticamente estáveis na leitura parcial de outubro. Na comparação entre a última semana de setembro e a segunda semana do mês, a gasolina comum recuou 0,14%, o etanol hidratado, 0,09%, e o diesel S-10, 0,04%. É o que mostra o Monitor de Preços dos Combustíveis, iniciativa da Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
O resultado indica uma acomodação depois da recomposição observada em setembro, sobretudo no diesel e no etanol, e mostra pouca transmissão adicional às bombas nas duas primeiras semanas de outubro. Em setembro, o movimento havia sido diferente: entre 31 de agosto e 30 de setembro, o diesel S-10 subiu 6,5% na média nacional e o etanol avançou 4,5%, enquanto a gasolina teve alta mais moderada, de 0,4%. Em outubro, essa trajetória perdeu força. Na segunda semana do mês, os três combustíveis estavam praticamente no mesmo patamar do fim de setembro.
Na comparação com a última semana de dezembro de 2025, porém, as trajetórias seguem distintas: o diesel S-10 acumula alta de 19,1% e a gasolina, de 5,4%, enquanto o etanol permanece 7,0% abaixo do nível observado no fim do ano passado
O etanol hidratado passou de R$ 4,23 na última semana de setembro para R$ 4,22 por litro na segunda semana de outubro, recuo de 0,09% na média nacional. Na média das capitais, o preço caiu 0,71%, de R$ 4,38 para R$ 4,35. Depois da recuperação observada ao longo de setembro, o biocombustível voltou a mostrar estabilidade no início de outubro. Mesmo com a recomposição recente, o preço médio nacional segue 7,0% abaixo da última semana de dezembro de 2025.
Na média nacional, o diesel S-10 ficou praticamente estável: passou de R$ 7,35 na última semana de setembro para R$ 7,35 por litro na segunda semana de outubro, com leve recuo de 0,04%. Na média das capitais, a variação também foi próxima de zero (-0,02%), com preço de R$ 7,28 por litro. A estabilidade ocorre depois de uma alta de 6,5% ao longo de setembro. Ainda assim, o diesel continua sendo o combustível com maior aumento acumulado em 2026 entre os produtos acompanhados pelo Monitor, com avanço de 19,1% em relação à última semana de dezembro de 2025.
A gasolina comum também pouco variou no início de outubro. De acordo com os números do balanço parcial do mês, o preço médio nacional passou de R$ 6,66 na última semana de setembro para R$ 6,65 na segunda semana do mês, recuo de 0,14%. Entre as capitais, a média ficou praticamente inalterada, em R$ 6,71 por litro (+0,02%).
O comportamento reforça a estabilidade observada desde agosto, com movimentos bem menores que os registrados no diesel e no etanol. Na comparação com a última semana de dezembro de 2025, a gasolina acumula alta de 5,4% na média nacional. No recorte estadual, as maiores mudanças ficaram concentradas em poucos mercados, enquanto a maior parte das unidades da Federação apresentou variações de pequena magnitude.
Com movimentos pequenos nos dois combustíveis, o Indicador de Custo-Benefício Flex também pouco mudou. Considerando a referência de 70% entre os preços do etanol e da gasolina, a relação passou de 66,5% na última semana de setembro para 66,6% na segunda semana de outubro, alta de apenas 0,1 ponto percentual. Na média das capitais, recuou de 67,6% para 67,5%. Os dois resultados permanecem abaixo de 70%, indicando vantagem econômica para o etanol na média nacional e na média das capitais. Entre as 23 UFs com informações disponíveis, o número de unidades com relação inferior a 70% passou de oito para nove; o Piauí foi a única UF a cruzar essa referência no período.
Os preços nas bombas ficaram estáveis apesar de um cenário internacional que continua pressionado. Em 15 de outubro, o Brent encerrou o dia em US$ 105,92 por barril, ainda acima de US$ 100, em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio, aos riscos no Estreito de Ormuz e a novas interrupções de oferta. O mercado internacional de diesel segue especialmente tensionado.
Segundo a Abicom, em 15 de outubro a defasagem média nos polos da Petrobras, pela metodologia da entidade, era de cerca de 107% para o diesel e 22% para a gasolina. Embora a diferença da gasolina tenha diminuído em relação a setembro, o indicador segue mostrando uma distância elevada entre as referências domésticas e internacionais, sobretudo no diesel.
No mercado doméstico, o governo federal prorrogou em 9 de outubro a desoneração da gasolina e do etanol por mais 30 dias. A medida zerou PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina e manteve PIS/Pasep e Cofins zerados para o etanol hidratado, além de ampliar a subvenção ao biocombustível. Para o diesel, uma portaria publicada em 13 de outubro acrescentou R$ 1,40 por litro à subvenção destinada aos importadores, em complemento aos mecanismos já existentes.
Esse conjunto de medidas atua no sentido de reduzir a transmissão imediata do choque externo para os preços domésticos e preservar a viabilidade das importações de diesel. Os resultados mais recentes do Monitor de Preços de Combustíveis são compatíveis com esse ambiente de amortecimento: mesmo com petróleo e derivados ainda pressionados no exterior, os preços médios nacionais apresentaram variações próximas de zero até a segunda semana de outubro. O quadro, porém, permanece sensível à evolução do conflito, do petróleo e do câmbio.
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