BNDES anuncia mais R$ 40 milhões para produção de bioinsumos
Novo ciclo do BNDES Bioinsumos para agricultura familiar foi anunciado em Brasília, durante Plenária do Consea
Pesquisadores identificaram um tipo celular antes desconhecido nas raízes do feijoeiro-comum. A estrutura recebeu o nome de “hooked hair”. Ela surge nos primeiros dias após a germinação e pode ajudar plântulas a sobreviver em solos com baixa disponibilidade de nutrientes e sob déficit hídrico.
Os “hooked hairs” formam pequenas estruturas pontiagudas na região subterrânea da plântula. Eles aparecem antes dos pelos radiculares tradicionais. No feijoeiro-comum, os pelos radiculares surgem entre cinco e dez dias após a germinação. Já os “hooked hairs” emergem nos três primeiros dias de desenvolvimento.
O estudo indica uma função relevante na fase inicial da cultura. Nesse período, a plântula ainda não desenvolveu um sistema radicular maduro. A estrutura pode contribuir para a aquisição de fósforo e nitrogênio. Também pode auxiliar na regulação de água nos tecidos radiculares.
A equipe observou resposta fenotípica dos “hooked hairs” sob limitação de fósforo e nitrogênio. Em sistemas de crescimento controlados, as estruturas aumentaram de comprimento sob deficiência desses nutrientes. A deficiência de fósforo também elevou a área dos “hooked hairs” em comparação ao controle.
Os pesquisadores usaram fenotipagem por imagem, microscopia e sequenciamento de célula única. A abordagem permitiu comparar os “hooked hairs” com pelos radiculares e tricomas. A análise transcriptômica mostrou perfis distintos entre essas microestruturas epidérmicas. O resultado sustentou a classificação dos “hooked hairs” como um tipo celular próprio.
O trabalho também identificou assinaturas gênicas ligadas ao transporte de nutrientes e à biossíntese de suberina. A suberina forma uma barreira de proteção em tecidos vegetais. No estudo, ela aparece associada à regulação da permeabilidade celular, à retenção de água e à proteção contra estresses ambientais.
A equipe confirmou atividade de fosfatase nos “hooked hairs” por meio de microscopia de fluorescência. Essa atividade apareceu desde o estágio inicial de formação da estrutura até a maturidade. O resultado reforça a hipótese de participação na absorção de fosfato nos primeiros dias de crescimento.
Sob limitação de nitrato, os pesquisadores observaram produção de espécies reativas de oxigênio. O artigo interpreta esse resultado como evidência indireta de sinalização e absorção ativa de nitrato. Os dados também indicam deposição de suberina nos “hooked hairs”, visualizada com o corante Fluorol Yellow 088.
A descoberta tem relevância agronômica porque a fase de estabelecimento define parte do desempenho da lavoura. Segundo Alexander Bucksch, autor sênior do estudo e professor da University of Arizona, plantas jovens sofrem com seca, pragas e fome nutricional durante o estabelecimento. Ele afirma ainda que perdas de 5% a 20% de plântulas ocorrem com frequência e representam custo econômico para produtores.
O feijoeiro-comum reúne variedades consumidas como vagem fresca e grãos secos, incluindo feijões pinto, preto e vermelho. A espécie tem importância alimentar por fornecer proteína vegetal, ferro e fibra. Em 2024, a produção global de feijões secos alcançou cerca de 28,9 milhões de toneladas métricas.
A equipe desenvolveu e aplicou uma ferramenta de análise de imagem chamada DIRT/μ, sigla para Digital Imaging of Root Traits at Microscale. O software detecta e quantifica variações sutis no desenvolvimento de apêndices unicelulares. Os pesquisadores também criaram uma rotina analítica para medir diferenças no contorno dos “hooked hairs”.
O estudo aponta uma possível função adicional de defesa. A morfologia em gancho pode atuar contra organismos nocivos no solo. Bucksch afirma que a equipe suspeita da capacidade dessas estruturas subterrâneas de prender e matar nematoides prejudiciais. Essa hipótese ainda passará por testes.
Outras informações em doi.org/10.1126/sciadv.adz6873
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