El Niño exige manejo estratégico na safra 2026/27
Fenômeno deve elevar a pressão de doenças em soja, milho e trigo e exigir planejamento fitossanitário
A Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo realiza, no próximo dia 30 de julho, às 10h, mais uma reunião para discutir o cenário da cultura no estado. O encontro será realizado de forma híbrida, com participação presencial na matriz da Ouro Safra, em Pilar do Sul (SP), e transmissão on-line pelo canal do Sindustrigo.
O evento reunirá representantes da cadeia produtiva para atualização das informações sobre a safra paulista, incluindo área plantada, expectativa de produtividade e avaliação do desenvolvimento das lavouras.
A programação contempla temas estratégicos para o setor, com análises de mercado, crédito e produção. Entre os destaques estão o panorama do mercado de trigo na conjuntura nacional e internacional, que será apresentado por Douglas Araujo, da CJ International; a apresentação sobre linhas de crédito, com a Desenvolve SP; o diagnóstico dos produtores paulistas, conduzido por Felipe Camargo, do Instituto de Economia Agrícola (IEA); e o reporte de cooperativas e cerealistas sobre evolução e expectativas de produção e produtividade.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Ruy Zanardi, a reunião será estratégica para consolidar dados mais precisos sobre a safra. “A expectativa é ratificar a área plantada no estado, entender a produtividade por hectare e identificar os principais materiais genéticos e manejos utilizados. Também teremos uma visão mais clara sobre o estágio de desenvolvimento da cultura nos campos de São Paulo”, afirma.
Entre os principais desafios do ciclo atual, o presidente destaca o aumento dos custos de produção, especialmente com combustíveis e fertilizantes, além do cenário internacional menos favorável. “Os preços globais do trigo estão abaixo dos anos anteriores, o que impacta diretamente a rentabilidade do produtor”, explica. Outro ponto de atenção é a possível influência do fenômeno El Niño, que pode trazer condições climáticas adversas para a cultura.
A reunião de meio de ano é considerada um momento-chave para o setor, pois permite uma leitura mais fiel do desempenho da safra paulista. “Essas informações são essenciais, sobretudo, para a indústria moageira do estado. Com base nesses dados, as indústrias conseguem planejar suas estratégias de abastecimento de matéria-prima para a safra 2026/27”, destaca o presidente.
No cenário de mercado, a pressão sobre produtores e indústria segue atrelada às dinâmicas globais das commodities. Segundo Zanardi, os preços internacionais influenciam diretamente as decisões de plantio. “Diante de valores mais baixos, o produtor pode buscar culturas mais rentáveis, o que pode resultar em redução da área de trigo. Ao mesmo tempo, o risco climático reforça a necessidade de estratégias para mitigar perdas”, avalia.
Apesar das incertezas, o dirigente ressalta que as projeções ainda dependem da evolução da safra. “As previsões são importantes, mas os resultados só se consolidam após a colheita”, conclui.
As inscrições para acompanhamento virtual podem ser feitas por meio de um formulário digital (docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScn_Nl_pLQkgzxAslDn_7WK7QiU-R3n6KUiowz1IFj2G6In5A/viewform).
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