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Um bioinseticida à base de Bacillus thuringiensis alterou o padrão de resposta funcional de larvas de segundo e terceiro instares de Ceraeochrysa cincta, mas não comprometeu a capacidade predatória geral do crisopídeo sobre neonatas de Spodoptera frugiperda. O resultado apoia o uso conjunto do predador e do produto microbiano em programas de manejo integrado da lagarta-do-cartucho.
A pesquisa avaliou larvas de primeiro, segundo e terceiro instares de Ceraeochrysa cincta alimentadas com neonatas de Spodoptera frugiperda. Parte das presas recebeu dieta artificial tratada com o bioinseticida formulado com Bacillus thuringiensis subsp. tolworthi. O estudo usou análises de resposta funcional para medir o consumo das presas em diferentes densidades.
Os cientistas conduziram os bioensaios no Laboratório de Biologia e Criação de Insetos da FCAV/Unesp, em Jaboticabal, São Paulo. Os insetos permaneceram sob temperatura de vinte e cinco graus Celsius, com variação de dois graus Celsius, umidade relativa de setenta por cento, com variação de dez por cento, e fotofase de doze horas.
As neonatas de Spodoptera frugiperda usadas no tratamento com Bt receberam dieta artificial tratada por vinte e quatro horas. O produto seguiu a dose de campo recomendada pelo fabricante, de mil mililitros por hectare. O cálculo considerou volume de calda de duzentos litros por hectare, equivalente a cinco mililitros por litro.
No experimento, os pesquisadores ofereceram duas a sessenta e quatro larvas de Spodoptera frugiperda para larvas de primeiro instar de Ceraeochrysa cincta. Para segundo e terceiro instares, as densidades variaram de duas a cento e vinte e oito larvas. Cada densidade teve dez repetições. Cada repetição recebeu uma larva predadora. Antes dos bioensaios, os predadores passaram vinte e quatro horas sem alimento.
Larvas de primeiro instar apresentaram resposta funcional do tipo III no controle e no tratamento com Bt. Esse padrão indica curva sigmoidal, com menor consumo em baixas densidades e aumento do consumo em densidades maiores. Segundo o estudo, esse comportamento pode refletir limitações de detecção ou manejo da presa em instares iniciais.
Larvas de segundo e terceiro instares apresentaram resposta funcional do tipo I no controle. Nessa condição, o consumo aumentou de forma linear conforme a densidade de presas. Quando as presas receberam Bt, os dois instares passaram para resposta funcional do tipo III. A mudança indica alteração no padrão de interação predador-presa após a exposição da lagarta ao bioinseticida.
A taxa de ataque atingiu os maiores valores no primeiro e no terceiro instares no tratamento controle. A exposição das presas ao Bt reduziu a taxa de ataque nesses dois instares. No segundo instar, não houve diferença significativa entre controle e tratamento com Bt. O tempo de manuseio não diferiu entre instares nem entre tratamentos.
O consumo de presas aumentou com a densidade para todos os instares e tratamentos. Larvas de primeiro instar consumiram menos presas após exposição ao Bt. Larvas de segundo e terceiro instares mantiveram níveis semelhantes de consumo nos dois tratamentos, em especial nas densidades médias e altas.
Os resultados indicam maior efeito do bioinseticida sobre instares iniciais de Ceraeochrysa cincta. Os instares mais avançados preservaram desempenho predatório sobre Spodoptera frugiperda, mesmo após exposição indireta ao produto. Para os pesquisadores, o estágio de desenvolvimento do predador e a condição da presa precisam entrar na avaliação de programas de manejo integrado com inseticidas microbianos e inimigos naturais.
O estudo aponta possíveis alterações na qualidade, mobilidade ou sinalização química das presas após ingestão de Bacillus thuringiensis. Esses fatores podem modificar o encontro e a captura pela larva predadora. O estudo não mediu diretamente esses mecanismos. Os cientistas recomendam novas avaliações com observações comportamentais e faixas mais amplas de densidade de presas.
O trabalho foi conduzido por Sarah C. da Silva, Danrley da R. Pacheco, Isabela C. de O. Pimenta, Dagmara G. Ramalho e Sergio A. De Bortoli
Outras informações em doi.org/10.37486/2675-1305.ec08014
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