Besouros predadores respondem a odores de abacateiro atacado por ácaro

Estudo identifica diferenças na reprodução e na busca por presas de duas espécies associadas ao ácaro-vermelho

13.10.2026 | 13:43 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Sofia Rugeles / iNaturalist - CC BY-NC 4.0
Foto: Sofia Rugeles / iNaturalist - CC BY-NC 4.0

Duas espécies de besouros predadores reconheceram compostos voláteis liberados por abacateiros infestados pelo ácaro-vermelho Oligonychus yothersi. Os insetos também completaram o desenvolvimento e se reproduziram alimentando-se da praga. A descoberta amplia as informações sobre o potencial de Parastethorus histrio e Oligota pygmaea no controle biológico em pomares de abacate.

Oligonychus yothersi ataca as folhas do abacateiro e provoca coloração avermelhada após a alimentação. Suas colônias começam, em geral, ao longo da nervura central, na superfície superior das folhas. Com o aumento da infestação, ocupam outras regiões do limbo. No Chile central, as populações crescem do meio do verão até o fim do outono. Parastethorus histrio e Oligota pygmaea ocorrem naturalmente em colônias da praga nos pomares comerciais da região.

Coleta de besouros

Os pesquisadores coletaram os besouros em abacateiros infestados pelo ácaro, no município chileno de La Cruz. Em laboratório, acompanharam desenvolvimento, sobrevivência e reprodução dos predadores alimentados com diferentes fases do ácaro. Os ensaios ocorreram a 25 graus Celsius e umidade relativa de 60%. Cada avaliação de desenvolvimento começou com 30 ovos por espécie. Outro grupo de 30 fêmeas por espécie permitiu medir longevidade e reprodução.

Parastethorus histrio levou, em média, 19,6 dias do ovo ao adulto. Oligota pygmaea completou esse período em 24,4 dias. A sobrevivência até a fase adulta alcançou 86,6% e 90%, respectivamente. O ácaro-vermelho concluiu o próprio desenvolvimento em 8,8 dias, com sobrevivência de 93,3%. A diferença indica vantagem temporal para a praga na formação de novas gerações.

As fêmeas de Oligota pygmaea produziram, em média, 441,6 ovos ao longo da vida, ante 351,8 ovos por fêmea de Parastethorus histrio. A produção diária chegou a sete ovos na primeira espécie e a 4,4 na segunda. Em contrapartida, Parastethorus histrio apresentou maior longevidade: 97,4 dias, contra 76 dias de Oligota pygmaea. As duas espécies depositaram ovos entre as colônias do ácaro e os cobriram com exúvias e corpos de presas mortas.

Taxa líquida de reprodução

A taxa líquida de reprodução, expressa em filhas produzidas por fêmea a cada geração, atingiu 218,6 em Oligota pygmaea e 160,4 em Parastethorus histrio. Oligonychus yothersi registrou 47,5. Entretanto, a taxa intrínseca de crescimento populacional do ácaro chegou a 0,245 por dia, quase o dobro dos valores dos predadores, de 0,126 e 0,129. O tempo médio de geração também favoreceu a praga: 15,7 dias, diante de 40,1 e 41,5 dias para os besouros. Portanto, a produção acumulada de descendentes não significa crescimento populacional mais rápido do inimigo natural.

Outra etapa avaliou os sinais químicos emitidos pela planta após a infestação. Os pesquisadores compararam brotações de seis abacateiros ‘Hass’ infestados com outras seis plantas sem ácaros. Após três dias de exposição, coletaram e analisaram os compostos voláteis no início do outono. Nas plantas infestadas, a abundância estimada de limoneno atingiu aproximadamente 29 vezes o valor registrado nas plantas sem infestação. O composto respondeu por cerca de 86% da abundância total de voláteis identificados no tratamento infestado. Mirceno, beta-ocimeno, alfa-farneseno, geraniol e salicilato de metila apareceram apenas nas amostras das plantas atacadas.

Testes com olfatômetro

Em testes com olfatômetro de duas escolhas, fêmeas das duas espécies permaneceram por mais tempo nos braços com extratos de brotações infestadas do que naqueles com extratos de plantas sem ácaros. Os resultados apontam capacidade de discriminar sinais associados à presença da presa. O experimento, porém, utilizou misturas de compostos. Assim, não permitiu identificar uma única substância responsável pela resposta dos besouros.

Os odores produzidos diretamente pela presa provocaram comportamentos diferentes. Oligota pygmaea respondeu positivamente aos odores de fêmeas vivas de Oligonychus yothersi, mas não mostrou preferência por resíduos das colônias, como fezes, seda e exúvias. Parastethorus histrio passou menos tempo nos braços com odores dos ácaros vivos e também registrou menor permanência diante dos estímulos provenientes dos resíduos. Para essa espécie, a resposta positiva apareceu nos sinais associados às plantas infestadas.

Hábitos de desenvolvimento

Os hábitos de desenvolvimento também diferem. Parastethorus histrio completa as fases imaturas na superfície das folhas. Já as larvas de Oligota pygmaea procuram abrigos escuros e úmidos para a pupação. Nos pomares, a serapilheira pode oferecer esses microambientes, embora sua influência sobre a permanência do predador ainda dependa de comprovação experimental.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de estudos em semicampo e em pomares comerciais. As próximas avaliações deverão medir o consumo de ácaros, a preferência por diferentes fases da praga, o estabelecimento dos besouros e a redução efetiva das populações. Os resultados laboratoriais não demonstram, isoladamente, a capacidade de suprimir infestações no campo (doi 10.3390/insects17101048).

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