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A bactéria Ralstonia solanacearum, agente da murcha-bacteriana, pode desenvolver resistência a bacteriófagos e antibióticos ao custo de reduzir características ligadas à virulência. O resultado surge em estudo recente.
Pesquisadores isolaram um novo bacteriófago a partir da rizosfera de plantas de tabaco com sintomas da doença. O vírus, denominado YIMV22001R, infecta linhagens do complexo Ralstonia solanacearum e apresentou potencial como agente de controle biológico. A análise genômica mostrou DNA de dupla fita com 65.707 pares de bases e ausência de genes associados à virulência ou resistência a antibióticos.
A equipe avaliou mutantes bacterianos resistentes ao bacteriófago, resistentes ao antibiótico ampicilina e resistentes simultaneamente a ambos. O crescimento das linhagens resistentes não diferiu da cepa original. Porém, os mutantes apresentaram redução significativa em mobilidade, formação de biofilme e sobrevivência no solo. A queda mais intensa ocorreu nos mutantes com dupla resistência.
A mobilidade bacteriana influencia a colonização do hospedeiro e o avanço da doença. A formação de biofilmes também favorece a sobrevivência da bactéria no xilema e em superfícies de plantas. A redução dessas características indica perda de aptidão ecológica após a evolução da resistência.
Os pesquisadores também observaram resistência cruzada a alguns antibióticos. Cepas resistentes à ampicilina adquiriram tolerância adicional a cloranfenicol, ceftriaxona e cefalexina. A análise de expressão gênica apontou aumento na atividade do gene blaOXA-249, associado à resistência a antibióticos beta-lactâmicos.
A resistência ao bacteriófago ocorreu por ativação de um mecanismo de defesa denominado infecção abortiva. Nesse processo, a célula bacteriana infectada ativa genes de defesa e interrompe sua própria multiplicação. A estratégia impede a replicação do vírus e protege a população bacteriana.
Apesar desse mecanismo de defesa, os autores destacam que a evolução da resistência impõe custos biológicos à bactéria. Esses custos incluem menor mobilidade, menor formação de biofilme e menor sobrevivência no solo. Essas perdas podem reduzir a capacidade do patógeno de causar doença.
Mais informações em doi.org/10.3390/agriculture16050595
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