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A aquisição do Cotton leaf curl Multan virus (CLCuMuV) ativa a autofagia na espécie críptica MED de Bemisia tabaci. Esse mecanismo celular limita o acúmulo do DNA viral no inseto. A resposta, porém, não explica sozinha a incapacidade dessa mosca-branca de transmitir o vírus.
Pesquisadores da Academia de Ciências Agrícolas de Guangdong, na China, acompanharam marcadores de autofagia após a aquisição do CLCuMuV (doi 10.3390/insects17080862).. Os níveis da proteína LC3-II aumentaram após 24, 48 e 72 horas. O intestino dos insetos também apresentou maior formação de estruturas associadas à autofagia.
Os cientistas silenciaram os genes Atg3 e Atg9 por interferência de RNA. O procedimento elevou o acúmulo de DNA do CLCuMuV para 1,4 vez o nível do controle após 48 horas. O bloqueio químico do fluxo autofágico com bafilomicina A1 também aumentou a carga viral. Em 48 horas, o nível chegou a 2,2 vezes o controle.
O efeito oposto ocorreu após indução da autofagia com rapamicina. O tratamento reduziu o DNA viral em 46,4% após 24 horas e em 33,3% após 48 horas.
A maior carga viral após o silenciamento de Atg3 e Atg9 não recuperou a capacidade de transmissão. Plantas receptoras permaneceram sem sintomas após 30 dias. PCR e qPCR também não detectaram CLCuMuV.
Os resultados indicam mecanismos distintos para acúmulo viral e competência vetorial. A autofagia atua na contenção do CLCuMuV em Bemisia tabaci MED, mas outras barreiras celulares e teciduais participam do bloqueio da transmissão.
O Cotton leaf curl Multan virus (CLCuMuV) não existe no Brasil. Trata-se de uma praga exótica e de importância quarentenária para a agricultura nacional, estando restrita principalmente a países da Ásia como Paquistão, Índia e China.
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