Atraso na semeadura eleva densidade crítica de trigo de inverno

Síntese global mostra aumento da taxa crítica de sementes e compensação parcial de perdas com densidade maior

12.03.2026 | 07:28 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

O atraso na semeadura reduz produtividade do trigo de inverno e aumenta a densidade de semeadura necessária para atingir rendimento máximo. Análise global com 40 experimentos mostrou aumento da taxa crítica de sementes de 292 para até 463 sementes por metro quadrado quando a semeadura ocorre 30 dias após a época recomendada.

O estudo compilou 658 médias de rendimento provenientes de experimentos conduzidos na América do Norte, Ásia e Europa. A produtividade variou de 0,3 a 10,5 Mg por ha.

Semeadura e densidade

A síntese avaliou a interação entre data de semeadura e densidade de semeadura no trigo de inverno (Triticum aestivum). O objetivo incluiu identificar relações aditivas, sinérgicas ou antagônicas entre os fatores e estimar a densidade crítica de sementes para alcançar 95% do rendimento máximo.

Resultados indicaram predominância de respostas aditivas negativas. Esse padrão ocorreu em 40% das combinações avaliadas entre atraso de semeadura e aumento da densidade. Relações antagônicas negativas apareceram em 25% dos casos.

Relação aditiva negativa indica ausência de interação entre os fatores. Nesse cenário, a densidade usual de semeadura já se aproxima da densidade crítica necessária para maximizar rendimento sob atraso.

Relações antagônicas negativas indicam compensação parcial do efeito do atraso. O aumento da densidade eleva a produtividade, porém não recupera completamente as perdas causadas pela semeadura tardia.

O banco de dados reuniu 169 combinações entre atraso de semeadura e densidade. A maioria mostrou atraso de semeadura como principal fator determinante da resposta produtiva.

Aumento progressivo da densidade

Modelos do tipo Michaelis–Menten estimaram aumento progressivo da densidade crítica conforme o atraso aumenta. A taxa crítica alcançou 292 sementes por metro quadrado na data normal de semeadura. O valor subiu para 455 sementes por metro quadrado com atraso de 10 a 30 dias e atingiu 463 sementes por metro quadrado com atraso superior a 30 dias.

O aumento da densidade elevou biomassa aérea, número de espigas e número de grãos por área. O peso de mil grãos apresentou estabilidade frente à variação da densidade.

A redução do rendimento sob atraso ocorreu principalmente por menor número de espigas e menor produção de biomassa. A densidade maior elevou o número de espigas por área, porém reduziu o número de grãos por espiga, evidenciando compensação entre componentes do rendimento.

Outras informações em doi.org/10.1002/csc2.70252

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