Arco Norte amplia protagonismo logístico no agro brasileiro

Portos da região lideram entrada de fertilizantes e consolidam avanço no escoamento de soja e milho, diz anuário da Conab

26.05.2026 | 17:20 (UTC -3)
Conab, edição Revista Cultivar
Porto do Itaqui; foto: Valdemar Medeiros
Porto do Itaqui; foto: Valdemar Medeiros

Os portos do Arco Norte consolidaram, em 2025, a liderança na entrada de fertilizantes no Brasil e ampliaram sua relevância no escoamento de soja e milho para o mercado internacional. Os dados constam no Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3, divulgado nesta terça-feira (26/5) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o levantamento, os portos da região movimentaram 13,36 milhões de toneladas de fertilizantes no ano passado, superando o porto de Paranaguá, que registrou 10,89 milhões de toneladas desembarcadas. A mudança começou em 2024 e se consolidou em 2025, impulsionada principalmente pela expansão da infraestrutura logística e pela proximidade com as principais áreas produtoras de grãos do país.

O presidente da Conab, Sílvio Porto, afirmou que o deslocamento do fluxo logístico do Sul para o Norte do país vem ocorrendo de forma contínua na última década. Segundo ele, os investimentos públicos em infraestrutura reduziram distâncias entre áreas produtoras, especialmente em Mato Grosso, e os portos do Pará e do Maranhão, favorecendo tanto a exportação de grãos quanto a importação de insumos agrícolas, como potássio, ureia e fosfatados.

Outro fator apontado pela estatal para o avanço do Arco Norte é o chamado “frete de retorno”, modelo em que os caminhões seguem carregados com grãos até os portos e retornam às regiões produtoras transportando fertilizantes, reduzindo custos logísticos.

Para o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos, a dinâmica reforça a necessidade de continuidade dos investimentos federais em infraestrutura de transporte e armazenagem na região.

Entre 2021 e 2025, as importações de fertilizantes pelos portos do Arco Norte cresceram 62,7%, enquanto Paranaguá apresentou retração de 0,8% no período. O superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, destaca que a combinação entre melhorias portuárias, proximidade das áreas produtoras e redução dos custos de transporte explica o aumento do fluxo de insumos pela região.

Itaqui lidera movimentação de fertilizantes

Entre os terminais do Arco Norte, Itaqui, no Maranhão, respondeu por 34% das importações regionais de fertilizantes em 2025. Na sequência aparecem Porto de Santarém, no Pará, com 22%, e o Porto de Salvador, responsável por 21% do total.

Segundo a Conab, Santarém atende principalmente cargas destinadas ao Pará, Mato Grosso e oeste do Tocantins, enquanto Salvador tem forte ligação com a região do Matopiba, importante polo produtor de soja, milho e algodão.

Exportações de soja e milho avançam

O crescimento da entrada de fertilizantes acompanha o fortalecimento do Arco Norte como corredor de exportação de grãos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que os embarques de soja e milho pelos portos da região passaram de 36,56 milhões de toneladas em 2021 para 58,06 milhões em 2025, avanço de 59%.

O maior crescimento foi registrado em Porto de Itacoatiara, onde os embarques saltaram de 3,83 milhões para 11,02 milhões de toneladas no período, alta de 188%.

Já o Porto do Itaqui ampliou a movimentação de 11,55 milhões para 20,14 milhões de toneladas entre 2021 e 2025. Em Porto de Barcarena, os volumes cresceram de 12,14 milhões para 16,03 milhões de toneladas.

De acordo com a análise da Conab, os resultados refletem investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias e estruturas portuárias voltadas à integração logística do Centro-Norte do país.

Arco Norte responde por mais de um terço da soja exportada

As exportações brasileiras de soja somaram 108,18 milhões de toneladas em 2025, aumento de 9,48% frente ao ano anterior. Desse total, 36,2% saíram pelos portos do Arco Norte. O porto de Santos respondeu por 32% dos embarques, enquanto Paranaguá concentrou 13,4%.

No milho, as exportações chegaram a 40,98 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 3% na comparação anual. Os portos do Arco Norte responderam por 48% do total exportado, superando Santos (36,9%) e Paranaguá (10,4%).

Mato Grosso permaneceu como principal exportador de soja e milho do país, mantendo forte dependência da infraestrutura logística da região Norte.

Expansão logística amplia desafios

O anuário também aponta que a consolidação do Arco Norte traz desafios ambientais e fundiários. Segundo Sílvio Porto, a expansão da infraestrutura logística e agropecuária na Amazônia exige atenção aos impactos territoriais, incluindo pressão sobre áreas ambientais e conflitos agrários.

O estudo destaca ainda a crescente participação das hidrovias no transporte de grãos. Entre 2010 e 2025, o modal hidroviário elevou sua participação de 8% para 15% da movimentação nacional. Já o ferroviário caiu de 53% para 38%, enquanto o transporte rodoviário segue predominante em períodos de maior pressão logística.

Para a Conab, a consolidação definitiva do Arco Norte dependerá da integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e modernização dos portos, além de novos investimentos em embarcações e infraestrutura de navegação.

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