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A produção vegetal brasileira registrou crescimento médio anual de 3,3% entre 2011 e 2023, enquanto a União Europeia avançou apenas 0,1%. Os dados integram estudo da Oxford Economics encomendado pela Bayer, divulgado nesta quinta-feira, 15 de outubro. O levantamento identifica dificuldades de competitividade na agricultura europeia, associadas ao aumento dos custos de produção, aos riscos climáticos e às barreiras para adoção de tecnologias agrícolas.
O estudo compara o desempenho europeu com Estados Unidos, Brasil, China, Canadá e Índia. A produção vegetal dos Estados Unidos cresceu 1% ao ano no período. China, Canadá e Índia registraram taxas entre 2% e 3%. A média mundial alcançou 2%. No Reino Unido, o indicador permaneceu estável.
A comparação entre períodos reforça a diferença. A produção média da União Europeia entre 2011 e 2023 superou em apenas 2% a registrada entre 2000 e 2010. O Brasil acumulou avanço de 51% na mesma comparação. O Canadá registrou 44% e os Estados Unidos, 16%.
A diferença aparece também na produtividade total dos fatores da agropecuária, indicador utilizado para medir a eficiência no uso de terra, trabalho, capital e insumos. O cálculo inclui lavouras, pecuária e aquicultura. Entre 1990 e 2023, a União Europeia registrou crescimento médio anual de 1%. A China liderou a comparação, com 2,8%, seguida pelo Brasil, com 2,4%. O Canadá registrou 1,8% e os Estados Unidos, 1,3%.
A Oxford Economics associa o desempenho europeu a diferentes fatores. Entre eles aparecem os custos de produção, as restrições ambientais, a menor expansão dos investimentos e a estrutura fundiária. A área média das propriedades europeias alcança 17,8 hectares, diante de 189 hectares nos Estados Unidos e 327 hectares no Canadá. O estudo também considera o maior potencial de crescimento de países com níveis iniciais de produtividade inferiores aos europeus.
A produção vegetal contribuiu com 246 bilhões de euros para o Produto Interno Bruto da União Europeia em 2025, segundo estimativas da consultoria. O setor empregava 4,5 milhões de pessoas em 2023. Cada bilhão de euros em produção vegetal sustenta entre 2 bilhões e 3 bilhões de euros em atividades econômicas de outros setores, conforme o país.
Os custos dos insumos acrescentam pressão sobre os produtores. Entre 2020 e 2025, os preços dos fertilizantes subiram 60% na União Europeia. A energia acumulou aumento de 51%, máquinas e equipamentos avançaram 25% e produtos fitossanitários registraram alta de 17%. O relatório relaciona parte dessas variações às consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia.
A dependência de importações amplia a exposição europeia às crises geopolíticas. As compras externas representam 70% do consumo de fertilizantes fosfatados, aproximadamente 40% dos potássicos e 30% dos nitrogenados. A Rússia respondeu por 22% das importações europeias de fertilizantes em 2025.
As mudanças climáticas também afetam a produção. O estudo cita estimativa do Banco Europeu de Investimento de perdas médias anuais de 17,4 bilhões de euros decorrentes de riscos climáticos, equivalentes a 6,4% da produção vegetal europeia. As projeções indicam que esses prejuízos poderão alcançar entre 24,8 bilhões e 28,9 bilhões de euros anuais em 2050. No sul da Europa, a produtividade do trigo poderá recuar até 49% no mesmo horizonte, segundo análise do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia.
A análise identifica dificuldades de acesso a tecnologias de melhoramento genético, proteção de cultivos e agricultura digital. A consultoria considera a velocidade de aprovação e adoção dessas soluções um componente da competitividade agrícola.
Na biotecnologia, o Brasil aparece entre os países com maior utilização de variedades geneticamente modificadas. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos citados no relatório, essas variedades representam 99% da produção brasileira de soja e algodão. A União Europeia mantém participação limitada nesse segmento.
O Conselho da União Europeia aprovou, em abril de 2026, novas regras para técnicas genômicas aplicadas às plantas. As normas passam a ser aplicadas a partir de meados de 2028. O Brasil estabeleceu normas específicas para essas tecnologias em 2018, seguido pelos Estados Unidos em 2019, pela China em 2022 e pelo Canadá em 2023.
As regras europeias distinguem duas categorias. A primeira contempla modificações genéticas consideradas equivalentes às obtidas pelo melhoramento convencional, com procedimentos simplificados. A segunda envolve alterações mais complexas e permanece submetida às exigências aplicadas aos organismos geneticamente modificados tradicionais.
Na proteção de cultivos, o levantamento registra uma redução no número de ingredientes ativos autorizados. A União Europeia contava com mais de mil substâncias aprovadas no início dos anos 2000. Esse conjunto diminuiu para aproximadamente 420, conforme levantamento de 2025 da Sociedade Alemã de Agricultura.
Dados da CropLife Europe, citados no relatório, indicam a retirada de 92 soluções fitossanitárias nos últimos sete anos. No mesmo intervalo, apenas um novo ingrediente ativo sintético chegou ao mercado europeu.
A redução das alternativas disponíveis preocupa os agricultores, segundo o levantamento. O relatório lembra que muitas pragas desenvolvem resistência aos produtos fitossanitários ao longo do tempo, o que exige ampla variedade de substâncias ativas. O documento cita o caso da Hungria, onde a retirada dos neonicotinoides do tratamento de sementes de beterraba açucareira levou os produtores a recorrer a inseticidas alternativos menos eficazes, com maior número de aplicações.
Segundo comunicado da Bayer, o Reino Unido adotou procedimentos diferentes após sua saída da União Europeia. Desde 2022, aprovou quatro ingredientes ativos ainda não autorizados ou pendentes no bloco europeu. O país também mantém aprovação para 15 substâncias cujas autorizações europeias expiraram ou sofreram proibição desde o Brexit.
A Oxford Economics defende procedimentos regulatórios proporcionais aos riscos de exposição, com manutenção dos critérios de segurança. O relatório considera os custos e os prazos de registro obstáculos à introdução de tecnologias. Um levantamento setorial citado no documento estimou em 21,4 milhões de dólares o custo médio de registro de um novo ingrediente ativo na União Europeia, diante de 14 milhões de dólares nos Estados Unidos.
A agricultura digital apresenta diferenças semelhantes. Pesquisa da McKinsey, utilizada pela consultoria, identificou adoção de pelo menos uma tecnologia agrícola por 46% dos produtores europeus entrevistados em 2024. Nos Estados Unidos, o percentual alcançou 74%. No Brasil, chegou a 53%.
A edição de 2026 da pesquisa da McKinsey encontrou utilização de inteligência artificial generativa por 13% dos agricultores europeus entrevistados. A proporção alcançou 23% na América do Norte e 26% na América Latina.
A conectividade limita parte dessa expansão. Dados da Comissão Europeia apontam dificuldades de acesso à internet em 15% das propriedades rurais. Embora 93% das propriedades utilizem tecnologias básicas de informação, a adoção de recursos avançados, como direção automática e sensores de solo, permanece entre 9% e 25%, conforme a solução considerada.
O levantamento encomendado pela Bayer também reuniu entrevistas com aproximadamente 90 agricultores e uma pesquisa de opinião com mais de 8 mil consumidores em oito mercados europeus. Entre os consumidores ouvidos, 84% consideraram a segurança alimentar uma questão de segurança nacional. O mesmo percentual defendeu o acesso dos agricultores às tecnologias mais recentes.
A pesquisa identificou apoio à simplificação administrativa entre 77% dos consumidores. Além disso, 63% declararam maior disposição para votar em partidos favoráveis ao uso de ciência e tecnologia na agricultura.
Frank Terhorst, responsável por Estratégia e Sustentabilidade da divisão Crop Science da Bayer, defendeu maior velocidade na disponibilização de tecnologias aos produtores europeus. Segundo o executivo, a agricultura precisa ser tratada como setor crítico para a autonomia estratégica e a competitividade da Europa.
O relatório recomenda políticas de incentivo à inovação, maior previsibilidade regulatória e ampliação do acesso a tecnologias agrícolas. A análise considera a manutenção dos padrões de segurança e a avaliação dos riscos reais de exposição elementos necessários ao desenvolvimento de novos procedimentos de aprovação.
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