ADM planeja entrar no mercado voluntário de carbono

Projeto em Nebraska prevê a remoção de mais de 800 mil toneladas de CO₂ por ano

21.09.2026 | 16:36 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Jackie Anderson

A ADM anunciou hoje (21/9) que planeja entrar no mercado voluntário de remoção de dióxido de carbono (CO₂), com créditos gerados a partir das operações de captura de carbono em seu complexo de processamento de milho em Columbus, Nebraska, nos Estados Unidos. A capacidade de remoção prevista é superior a 800 mil toneladas de CO₂ por ano.

Os créditos estão em processo de certificação e emissão pela Puro.earth, empresa especializada em infraestrutura para remoção de dióxido de carbono por engenharia. O projeto segue a metodologia de Carbono Armazenado Geologicamente, em sua edição de 2024.

Segundo a ADM, a certificação e a emissão dos primeiros créditos estão previstas para o fim deste ano. Após a conclusão do processo de certificação e verificação, a empresa prevê um período de geração de créditos de 15 anos.

“A ADM tem mais de uma década de experiência em suporte à captura e armazenamento geológico de carbono, incluindo a operação de poços Classe VI em nossa unidade de Decatur, Illinois. Essa experiência, juntamente com o sistema de transporte e sequestro de CO₂ da Tallgrass e as capacidades de outros participantes do projeto, nos posiciona para conectar a produção agrícola com os crescentes mercados de remoção de carbono em grande escala”, afirmou Kris Lutt (nna foto), vice-presidente de Inovação e Crescimento da ADM.

De acordo com Lutt, a empresa já trabalha com clientes de suas cadeias de valor para apoiar metas de redução de emissões e pretende ampliar essa atuação para outros setores.

Captura e armazenamento

A ADM e a Tallgrass, empresa de infraestrutura energética, iniciaram em 2025 as operações de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) em Columbus.

O CO₂ de origem biogênica é capturado durante a fermentação do etanol produzido na unidade de processamento de milho da ADM. Depois, o gás é purificado, comprimido e transportado até o Centro de Sequestro de Carbono da Tallgrass, no leste do Wyoming.

No local, o CO₂ é destinado ao armazenamento subterrâneo permanente por meio de poços de captura e armazenamento de carbono regulamentados por licença Classe VI do Departamento de Qualidade Ambiental do Wyoming.

Para Jan-Willem Bode, presidente da Puro.earth, a certificação do projeto envolve processos de medição, coleta de dados e auditoria independente. “Certificar a remoção de carbono nesta escala exige rigor”, afirmou. Segundo ele, o processo busca assegurar critérios de medição e verificação necessários para a emissão dos créditos.

A ADM afirma que vê a captura de carbono como parte de uma estratégia mais ampla de investimentos em soluções de baixo carbono. A empresa também cita iniciativas relacionadas à agricultura regenerativa e ao gás natural renovável.

A companhia possui mais de 650 funcionários no Nebraska. O complexo de Columbus reúne unidades de processamento úmido e seco de milho, utilizadas na produção de ingredientes alimentícios, combustíveis e ração animal.

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