Ação apreende 1,4 mil toneladas de sementes irregulares no RS
Operação mobiliza órgãos públicos e retém produtos avaliados em R$ 6,1 milhões
Uma força-tarefa com cerca de 30 servidores do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi-RS) vistoriou 182 propriedades rurais em 55 municípios gaúchos na última semana. A mobilização teve foco na região do Alto Uruguai, considerada área prioritária para prevenção da entrada do caruru-gigante (Amaranthus palmeri) no estado.
A espécie ainda não foi registrada em território gaúcho, mas a identificação recente no oeste de Santa Catarina, próximo à divisa com o estado, acendeu o alerta das autoridades fitossanitárias. Classificada como praga quarentenária, a planta daninha apresenta alto potencial de dano às lavouras, com perdas que podem chegar a 79% na produtividade da soja e a 91% no milho, além de elevar custos de produção e dificultar a colheita.
Durante a operação, também foram realizadas oito coletas de material para análise e identificação de outras espécies de caruru, encaminhadas ao laboratório de referência do Ministério da Agricultura (Mapa) para análise.
Para o fiscal estadual agropecuário, Alonso Duarte de Andrade, as vistorias também oportunizaram aos profissionais ampliar a conscientização dos produtores e fortalecer a rede de vigilância. Também houve atenção especial à importância do uso de sementes certificadas e aos cuidados com o trânsito de maquinário agrícola, especialmente o proveniente de fora do estado.
“A planta se destaca pelo crescimento rápido e alta agressividade, podendo produzir até um milhão de sementes por indivíduo, o que facilita sua disseminação. Outro fator preocupante é a resistência a herbicidas, que dificulta o controle”, alerta Andrade.
Entre as principais recomendações está a limpeza completa e a sanitização de máquinas e equipamentos que ingressem no Rio Grande do Sul, com remoção de resíduos que possam conter sementes da planta.
A chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal, Deise Feltes Riffel, acrescenta que a fiscalização das espécies de caruru passa a ser uma ação permanente da Seapi. “É importante que os produtores sejam nossos parceiros, utilizando as ferramentas adequadas de manejo e inspecionando seus cultivos, com comunicação imediata em caso de suspeita, pois o agricultor está diariamente em sua lavoura e tem melhores condições de identificar precocemente a presença de uma espécie diferente”, destaca.
Ocorrências suspeitas devem ser imediatamente comunicadas à Seapi pelo e-mail defesavegetal@agricultura.rs.gov.br, com envio de registro fotográfico, localização precisa (endereço e, principalmente, coordenadas geográficas).
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