Rhopalosiphum maidis (Fitch, 1856) é chamado de pulgão-do-milho, pulgão-da-folha-do-milho ou pulgão-verde-do-milho, no Brasil. "Pulgão-dos-cereais" também aparece, mas é ambíguo, pois designa ainda Rhopalosiphum padi e Schizaphis graminum. Em inglês é corn leaf aphid ou maize aphid; em espanhol, pulgón verde del maíz; em francês, puceron vert du maïs; em alemão, Maisblattlaus.
Histórico taxonômico
Rhopalosiphum maidis pertence a Hemiptera, Sternorrhyncha, Aphidoidea, Aphididae, Aphidinae, tribo Aphidini, gênero Rhopalosiphum Koch, 1854 (NZOR). Asa Fitch descreveu a espécie em 1856 a partir de fêmeas ápteras e aladas coletadas em Nova York; os síntipos estão no USNM (AFD).
A espécie acumulou vários nomes depois sinonimizados, entre eles Aphis adusta Zehntner, 1897, Aphis cookii Essig, 1911, Aphis africana Theobald, 1914, Stenaphis monticellii Del Guercio, 1914 e Rhopalosiphum zeae Rusanova, 1942.
A discussão atual é se o táxon constitui uma espécie ou um complexo. Brown e Blackman (1988) descreveram cariótipos 2n = 8, 9 e 10 associados a hospedeiros distintos e trataram o grupo como complexo de espécies; em 1991, os mesmos autores relataram variação morfométrica entre populações e discutiram o tratamento taxonômico de afídeos de partenogênese permanente. O achado do holociclo em Prunus cornuta no Paquistão (Remaudière e Naumann-Etienne, 1991) mostrou que a espécie é heteroécica onde a fase sexuada ocorre (Jauset et al., 2000).
Biologia
A fêmea vivípara áptera tem corpo oval, verde-acinzentado a verde-esbranquiçado, com cabeça, pernas, sifúnculos, cauda e faixas transversais dos tergitos 7 e 8 negros. As antenas, sem rinários secundários, não chegam à metade do comprimento do corpo; os sifúnculos são curtos, não ultrapassam a cauda digitiforme e têm leve dilatação apical. Na alada, cabeça e tórax são negro-acastanhados e os sifúnculos, mais curtos.
Na maior parte da área de distribuição, inclusive no Brasil, as populações são anolocíclicas: só há fêmeas partenogenéticas que parem ninfas, que passam por quatro ínstares. Machos sem fêmeas ovíparas correspondentes foram registrados no Japão e no Quênia.
A temperatura governa o ciclo. Em Lavras (MG), a fase ninfal durou 13,3 dias a 15 °C e cerca de 4,5 dias entre 24 e 30 °C, com o período reprodutivo caindo de 28 para 5 dias (Maia et al., 2004). Nos EUA, os limiares de desenvolvimento estimados foram 6,1 °C e 26,3 °C (Elliott e Kieckhefer, 1988).
Bionomia
Rhopalosiphum maidis é oligófago de gramíneas. Ataca Zea mays, Sorghum bicolor, Hordeum vulgare, Avena sativa, Secale cereale, Triticum aestivum, Oryza sativa e Saccharum officinarum, além de espécies de mais de 30 gêneros de Poaceae (Pereira et al., 2006). Gramíneas espontâneas, como Setaria verticillata e Echinochloa crus-galli, mantêm populações entre os cultivos.
No milho, as colônias se instalam no cartucho, protegidas e pouco visíveis, e acompanham o pendão em formação e as gemas florais. Por isso costumam ser notadas só no pendoamento, com a população já alta. As aladas surgem quando a densidade sobe ou a planta se esgota.
Estiagem e calor favorecem surtos; vento e chuvas frequentes os contêm. No Sul do Brasil, a safra 2005/06 teve infestações altas após estiagem até o fim de janeiro. Inseticidas de amplo espectro aplicados contra Spodoptera frugiperda agravam o quadro ao eliminar inimigos naturais.
O dano soma sucção de seiva, possível toxicidade salivar, viroses e excesso de honeydew. Este compacta o pólen e recobre os estilo-estigmas, gerando falhas de polinização e granação. Há registros de perdas de até 65%, conforme o tamanho da colônia no pendoamento (Al-Eryan e El-Tabbakh, 2004, citados por Pereira et al., 2006).
Ecologia
De provável origem asiática, a espécie é hoje cosmopolita, mas não sobrevive a invernos rigorosos. Tem sido implicada na transmissão de ao menos 15 vírus de plantas (AphidNet). No Brasil, o mais relevante é o do mosaico comum do milho, estirpe do Sugarcane mosaic virus (SCMV) transmitida de forma não persistente. Também transmite Maize dwarf mosaic virus, Maize yellow dwarf virus-RMV e Barley yellow dwarf virus.
No Brasil, os parasitoides mais citados são Lysiphlebus testaceipes e Aphelinus varipes (UFU, 2010). Entre os predadores estão Doru luteipes, Cycloneda sanguinea, Hippodamia convergens, crisopídeos e sirfídeos.
Rhopalosiphum maidis tolera benzoxazinoides melhor que Rhopalosiphum padi, Schizaphis graminum, Sitobion avenae e Metopolophium dirhodum. Ainda assim, o teor de DIMBOA-Glc explica parte da variação de resistência entre linhagens de milho (Chen et al., 2019).
Controle
O manejo começa pelo monitoramento do cartucho, dos 30 aos 70 dias após a germinação, em 100 plantas tomadas em grupos de 20 a cada 10 ha. Cada planta recebe nota 0 (sem pulgões), 1 (até 100) ou 2 (mais de 100). O controle se justifica com 50% das plantas na nota 2, estresse hídrico e população em crescimento (Pereira et al., 2006).
Na prevenção, recomenda-se usar cultivares menos suscetíveis e evitar semeaduras escalonadas que mantenham milho em vários estádios lado a lado.
O tratamento de sementes com sistêmicos é indicado contra infestações precoces, mas os resultados variam. Em Londrina (PR), em duas segundas safras, imidacloprido, tiametoxam, tiodicarbe, fipronil e abamectina não reduziram a incidência em relação à testemunha (Tobias et al., 2017). Pulverizações alcançam mal as colônias abrigadas no cartucho e não impedem a transmissão não persistente do SCMV, feita em picadas de poucos segundos. Só devem ser usados produtos registrados no Agrofit para a praga e a cultura.
O controle biológico conservativo preserva Lysiphlebus testaceipes, Cycloneda sanguinea, Eriopis connexa, Doru luteipes, sirfídeos e crisopídeos. Para isso, evitam-se inseticidas de amplo espectro contra Spodoptera frugiperda. Após a emissão do pendão, a exposição das colônias ao ambiente costuma derrubar a população.