Phthorimaea operculella

28.09.2026 | 15:04 (UTC -3)
Foto: David Jones / University of Georgia - Bugwood
Foto: David Jones / University of Georgia - Bugwood

Phthorimaea operculella (Zeller, 1873) é um microlepidóptero da família Gelechiidae e uma das pragas de maior impacto econômico sobre a batata, Solanum tuberosum, em regiões tropicais e subtropicais. Em português é chamada de traça-da-batata, traça-da-batatinha ou traça-do-tubérculo; na literatura em inglês aparece como potato tuber moth ou tobacco splitworm, além de potato tuberworm, e em espanhol como polilla de la papa.

É espécie oligófaga, que se alimenta de plantas da família Solanaceae: além da batata, tem tomate (Solanum lycopersicum) e fumo (Nicotiana tabacum) como hospedeiros principais, desenvolve-se em berinjela (Solanum melongena) e em solanáceas silvestres como Nicotiana glauca, Lycium europaeum e Hyoscyamus albus, que funcionam como reservatório entre safras.

Na classificação atual, a espécie pertence a Animalia, Arthropoda, Insecta, Lepidoptera, superfamília Gelechioidea, família Gelechiidae, subfamília Gelechiinae, tribo Gnorimoschemini e gênero Phthorimaea Meyrick, 1902, do qual é a espécie-tipo.

Foi descrita por Zeller em 1873, num trabalho sobre microlepidópteros norte-americanos, em Gelechia, embora algumas bases registrem Bryotropha como gênero original. O histórico nomenclatural acumula sinônimos que refletem descrições independentes em diferentes continentes: Gelechia terrella Walker, 1864, Bryotropha solanella Boisduval, 1874, Gelechia tabacella Ragonot, 1879, Gelechia sedata Butler, 1880, Gelechia piscipellis Howard, 1897, e Phthorimaea argentinae Povolný, 1989. A combinação Gnorimoschema operculella também circulou por décadas na literatura aplicada. O gênero Phthorimaea funcionou como agrupamento pouco delimitado dentro da família, e os limites genéricos na tribo Gnorimoschemini continuam instáveis.

Em 2021, uma análise cladística morfológica situou a traça-do-tomateiro num clado monofilético com Phthorimaea operculella e restabeleceu a combinação Phthorimaea absoluta (antes Tuta absoluta), já adotada pela EPPO. Duas pragas-chave de solanáceas passaram, assim, a ser congêneres, o que exige atenção redobrada na identificação de adultos capturados em armadilhas e de larvas coletadas no campo.

O adulto é uma mariposa pequena, com corpo de cerca de 10 mm e envergadura em torno de 12 mm (até 15 mm, segundo descrições brasileiras), asas franjadas, cinza-amarronzadas, com pequenas pontuações escuras. Com as asas fechadas, as fêmeas exibem um desenho escuro em forma de "X", ao passo que os machos apresentam duas ou três manchas, o que permite a sexagem visual. Os ovos, ovais e diminutos, são depositados isoladamente ou em pequenos grupos na face inferior das folhas, em hastes e, sobretudo no fim do ciclo, em tubérculos expostos, preferencialmente próximos às gemas. O ovipositor possui sensores que percebem sinais químicos do hospedeiro, de modo que a fêmea só precisa estar nas proximidades da planta para ovipositar.

A larva passa por quatro ínstares e atinge 10 a 12 mm, sendo branco-esverdeada no início e branco-amarelada no final, com cabeça marrom. Nas folhas faz minas que evoluem para galerias em pecíolos e hastes; nos tubérculos abre túneis irregulares preenchidos por excrementos, frequentemente a partir dos olhos. A pupa, marrom-avermelhada, fica geralmente protegida por casulo de seda fora da galeria do tubérculo, mede cerca de 8 mm, costuma estar recoberta por sedimento fino e ocasionalmente aparece na superfície do tubérculo, junto às reentrâncias dos olhos. Em tubérculos a 25 °C, registraram-se longevidade de 33,4 dias para machos e 31,7 dias para fêmeas, média de 195 ovos por fêmea e viabilidade de 46,3%.

O desenvolvimento é fortemente termodependente: a sobrevivência dos imaturos é ótima entre 20 e 30 °C, a fecundidade atinge o máximo perto de 21 °C, a maior parte dos ovos é posta no primeiro quarto da vida da fêmea e as populações crescem entre 10 e 35 °C, com ótimo entre 28 e 30 °C. Em tubérculos, o tempo médio de geração cai de 61 dias a 16 °C para 16,2 dias a 32 °C, e os ovos não sobrevivem a 36 °C. Nos trópicos e subtrópicos completam-se de 7 a 13 gerações por ano.

Os adultos têm atividade crepuscular e noturna e abrigam-se durante o dia sob as folhas, em restos culturais e em fendas do solo. Enquanto há folhagem verde, a postura e a alimentação concentram-se na parte aérea; com o declínio ou a dessecação das ramas, adultos e larvas descem ao solo e o risco de infestação dos tubérculos aumenta, tanto mais quanto mais tempo a batata permanece no campo após a dessecação. Os adultos penetram no solo pelas rachaduras, solos secos são preferidos para a postura e favorecem a sobrevivência larval, e tubérculos rasos ou expostos são os mais vulneráveis.

A praga é de infestação cruzada: tubérculos colhidos com ovos ou larvas levam a população ao armazém, onde a reprodução prossegue enquanto a temperatura permitir, e dali ela retorna ao campo com a batata-semente, as pilhas de descarte e as plantas voluntárias.

No Brasil, a traça ocorre em todas as épocas de plantio, provocando secamento e destruição de tubérculos no campo e no armazenamento, com danos mais severos em clima quente e seco, e as perdas em armazéns podem atingir 30 a 40% dos tubérculos. O dano foliar raramente reduz a produtividade de forma expressiva, salvo sob infestações intensas; o prejuízo econômico decorre das galerias nos tubérculos, que depreciam o produto, abrem porta a patógenos secundários e levam à rejeição de lotes.

Originária da América do Sul, a espécie está hoje registrada em mais de 90 países. A temperatura é o principal determinante de sua distribuição e abundância, e modelos fenológicos acoplados a sistemas de informação geográfica, desenvolvidos pelo Centro Internacional de la Papa (CIP), são usados para projetar mudanças na distribuição da praga sob aquecimento global. No campo, a distribuição é agregada, com maior densidade larval nas bordaduras, sobretudo nas faces expostas aos ventos predominantes, e o tipo de solo modula a pressão da praga.

O complexo de inimigos naturais inclui parasitoides como Copidosoma koehleri (Encyrtidae), Orgilus lepidus e Chelonus blackburni (Braconidae) e Diadegma fenestrale (Ichneumonidae), além de predadores generalistas e ácaros como Blattisocius tarsalis, avaliado para armazéns. O Phthorimaea operculella granulovirus (PhopGV, Baculoviridae) foi encontrado pela primeira vez em uma população do Sri Lanka em 1967, causa epizootias naturais e foi posteriormente isolado de outros gelequiídeos, como Tecia solanivora. Nos Andes, Phthorimaea operculella compartilha o nicho com Tecia solanivora e Symmetrischema tangolias, formando o complexo das traças-da-batata.

O manejo integrado começa pelo monitoramento com armadilhas de feromônio sexual, cujos componentes principais são o acetato de (E,Z)-4,7-tridecadienila (PTM1) e o acetato de (E,Z,Z)-4,7,10-tridecatrienila (PTM2); a proporção mais atrativa varia com a população e o hospedeiro, e na China ficou entre 1:4 e 1:7 (PTM1:PTM2) em batata e entre 8:1 e 4:1 em fumo. Os mesmos compostos sustentam coleta massal e confusão sexual, além da técnica de atrai-e-mata, eficaz em campo e em armazém.

Entre as medidas culturais destacam-se batata-semente sadia, plantio mais profundo e amontoa para manter mais de 5 cm de solo sobre os tubérculos, irrigação por aspersão em vez de sulcos, que favorecem o fendilhamento do solo, irrigação leve diária entre dessecação e colheita, colheita rápida após a dessecação, eliminação de pilhas de descarte e plantas voluntárias e limpeza dos armazéns.

No armazenamento, manter os tubérculos abaixo de 10 °C impede o crescimento populacional, e em armazéns rústicos folhas de eucalipto e lantana reduzem a infestação. O controle biológico aplicado apoia-se no PhopGV, cujas formulações reduziram danos em mais de 70% em armazéns e entre 56 e 82% no campo na Costa Rica, e em Bacillus thuringiensis subsp. kurstaki, ambos inócuos para aplicadores e organismos não alvo. Liberações de Copidosoma koehleri e Chelonus blackburni integradas a esses entomopatógenos mostram-se eficazes onde a temperatura é moderada e a umidade relativa é alta. Há fontes de resistência em germoplasma primitivo e silvestre de Solanum, e voláteis de batatas silvestres com efeito deterrente sobre a oviposição vêm sendo estudados.

O controle químico, restrito no Brasil a produtos registrados para a cultura e o alvo, rende mais quando concentrado imediatamente antes e no momento da dessecação, e a rotação de modos de ação é indispensável diante dos registros de resistência a inseticidas em populações de campo.

Outras informações

A infestação dos tubérculos cresce após a dessecação das ramas, quando a folhagem deixa de ser atrativa. Recomenda manter mais de 5 cm de solo sobre os tubérculos; relata que a irrigação diária de 0,25 cm por pivô, da dessecação à colheita, reduziu os danos sem aumentar doenças fúngicas ou bacterianas, e sintetiza triagens do CIP em que, de 3.747 acessos primitivos e 452 silvestres, 22 e 21, respectivamente, foram considerados resistentes (doi 10.1007/s12230-009-9123-x.).

Ajustadas funções de mortalidade, senescência e fecundidade em relação à temperatura e as integraram num modelo populacional, que reproduziu bem dados publicados. Sobrevivência ótima entre 20 e 30 °C, fecundidade máxima perto de 21 °C e crescimento populacional entre 10 e 35 °C, com ótimo em 28–30 °C, são os parâmetros que embasam os modelos fenológicos posteriores (doi 10.1603/0046-225X-33.3.477).

Partindo da hipótese de que o aquecimento alterará fortemente a distribuição e o potencial de dano da praga, cientistas aplicaram um modelo fenológico climático com três índices de risco (estabelecimento, número de gerações e atividade) em ambiente SIG, projetando cenários para 2050 com dados do cenário A1B do WorldClim, por meio do software ILCYM do CIP (doi 10.1016/j.agrformet.2012.06.017).

Estudo comparou sistemas em solo arenoso e em loess, que diferiam em cultivares, irrigação, forma de aplicação de inseticidas e datas de plantio e colheita. Entre meados de abril e o fim de maio, as armadilhas em solo arenoso capturaram quase o dobro de machos; o parasitismo chegou a 40% e a predação foi estimada em 79%, e a densidade larval em folhas e tubérculos foi maior nas bordas do que no centro das lavouras (doi 10.1017/S0007485300000432).

Em ensaios na bacia do Columbia (Oregon e Washington), programas com esfenvalerato, metamidofós e metomil iniciados entre 28 e 5 dias antes da dessecação reduziram os danos, sem vantagem em começar mais cedo. A irrigação diária após a dessecação diminuiu os danos, a dessecação química tendeu a superar a senescência natural e cobrir os camalhões com solo protege, desde que feito até a dessecação; o período crítico para o controle é imediatamente antes e no momento da dessecação (doi 10.1603/EC09065).

Primeira classificação cladística da traça-do-tomateiro em Gnorimoschemini, com 22 caracteres morfológicos e Gnorimoschema gallaesolidaginis como grupo externo. A árvore mais parcimoniosa agrupou a espécie num clado monofilético com Phthorimaea operculella, espécie-tipo do gênero, o que levou à combinação restabelecida Phthorimaea absoluta e à nova combinação Phthorimaea chiquitella; Tuta, apenas com Tuta atriplicella, e Scrobipalpuloides permanecem válidos (doi 10.4289/0013-8797.123.1.41).

Com sequenciamento Illumina, Nanopore e Hi-C de uma população de Yunnan, os autores obtiveram um genoma de 648,2 Mb, com 92% ancorados em 29 cromossomos, 16.619 genes anotados e 92,4% dos genes BUSCO completos, recurso que permite associar características fenotípicas, como resistência a inseticidas e escolha de hospedeiros, às suas bases genéticas (doi 10.1038/s41597-022-01859-5).

Estudo de laboratório com a traça criada em tubérculos a 25 ± 1 °C, 70 ± 10% de umidade relativa e fotofase de 14 horas, com adultos alimentados com solução de mel a 10%. A longevidade foi de 33,4 dias para machos e 31,7 dias para fêmeas, com sobrevivência integral até o sexto dia, 195 ovos por fêmea em média e viabilidade de 46,3% (doi 10.1590/S0103-84782003000600024).

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