Sementes de braquiária de alta qualidade: quais etapas do processamento pós-colheita permitem obtê-las?

Por Helen Kássia Gonçalves da Silva, graduanda em agronomia no IF Goiano, e Jacson Zuchi, Engenheiro Agrônomo

18.09.2026 | 14:40 (UTC -3)
Figura 1: etapas do processo pós-colheita de sementes de brachiária; 1) colheita do campo de produção (método da varredura mecânica); 2) pré-limpeza – máquina de ar e peneiras ou mesa gravitacional; 3) máquina de coluna de ar (“cata torrão”); 4) revestimento (“Coater”); 5) armazenamento; fonte: Jacson Zuchi (09/2022)
Figura 1: etapas do processo pós-colheita de sementes de brachiária; 1) colheita do campo de produção (método da varredura mecânica); 2) pré-limpeza – máquina de ar e peneiras ou mesa gravitacional; 3) máquina de coluna de ar (“cata torrão”); 4) revestimento (“Coater”); 5) armazenamento; fonte: Jacson Zuchi (09/2022)

Importância e relevância

As braquiárias são utilizadas em múltiplos setores no âmbito comercial, principalmente na agropecuária, como fonte de alimento para bovinos, proporcionando um alto valor nutricional ao gado, em razão do teor de proteína bruta da matéria seca, além de contribuir para o aumento do ganho de peso dos animais.

As braquiárias também possuem capacidade de reestruturação do solo nos sistemas integrados, por meio da proteção do solo e atuando como um mecanismo que ameniza a erosão. Além disso, auxiliam na descompactação e atuam como adubação verde, aumentando o teor de matéria orgânica, além de possibilitarem rápida produção de massa vegetal na entressafra.

Processamento pós-colheita de sementes de Brachiaria

As sementes de brachiária passam por diversas etapas, desde a colheita até a comercialização (Figura 2). 

Figura 2: fluxograma da produção, colheita e beneficiamento das sementes de brachiária
Figura 2: fluxograma da produção, colheita e beneficiamento das sementes de brachiária

A primeira etapa do processo ocorre no campo de produção, na fazenda, por meio da colheita das sementes pelo método de varredura mecanizada. Primeiro, a planta é cortada pelo maquinário, fazendo o enleiramento (filas de forragens) para que seja realizada a coleta. Em seguida, a varredeira passa pelo campo, recolhendo o material cortado. O material coletado não possui apenas as sementes, mas também restos das culturas e torrões de terra, sendo necessário o encaminhamento para o processamento prévio. Esse é o caminho que a semente passa para ser limpa. 

A segunda etapa é o processamento prévio, que também ocorre na fazenda, em uma máquina de pré-limpeza. Apesar de ser a primeira fase da indústria, essa é a segunda passagem da semente, considerando-se a primeira como o processo de varredura. A partir daí, é realizada a limpeza prévia, com a retirada das impurezas. 

O ensaque prévio é realizado após a pré-limpeza, como uma forma de armazenamento prévio das sementes. Em um curto período, elas são transferidas para big bags – sacolas industriais resistentes e duradoras –, que protegem as sementes e preservam sua qualidade para não haver perda até a próxima etapa. São geralmente armazenadas em galpões e empilhadas até seu futuro transporte para a UBS.

Na UBS, o material chega após o processamento prévio, que busca o aprimoramento das características físicas do lote. Nessa etapa, é realizada uma nova pré-limpeza, por meio de uma máquina de ar e peneiras, com duas peneiras superiores e duas inferiores, favorecendo a seleção de sementes cheias.

Pode-se utilizar também a mesa gravitacional para a pré-limpeza, equipamento que separa as sementes chochas (vazias) do restante do lote com base na sua densidade e peso. A máquina funciona por movimentos vibratórios que condizem com a lei gravitacional para a separação do material.

Para melhor separação das sementes de brachiária, elas passam, em sequência, pela máquina de coluna de ar, pois ainda há necessidade de retirada de materiais mais leves que as sementes. Nesse sentido, a máquina de coluna de ar é utilizada para a retirada de materiais mais leves que o produto. O maquinário é fechado e possui um ventilador superior que introduz o ar. Por meio de movimentos rápidos e giratórios, ocorre a sucção do material indesejado, aumentando a pureza do lote e promovendo a separação por densidade. As sementes mais pesadas apresentam, em geral, maior quantidade de reserva nutricional interna em comparação às sementes descartadas.

Ainda atrelado a esse processo, essa mesma máquina retira os torrões por meio da canaleta, que funciona como um canal. Por meio de vibrações, ocorre a separação e o descarte, possibilitando elevar o valor cultural do lote – que é mensurado pela sua pureza e germinação, determinando sua qualidade.

Para o melhor aprimoramento das características físicas das sementes de brachiária, utiliza-se também um equipamento chamado Trieur (Cilindro alveolado), que possui a capacidade da separação com base no comprimento das sementes, ou seja, no tamanho do material, padronizando o lote e selecionando as maiores sementes, além de descartar as menores, as danificadas ou materiais indesejados.

O equipamento possui cilindros rotatórios dotados de alvéolos, que são pequenas cavidades internas. O tambor eleva as sementes e as conduz aos alvéolos. Por meio dos movimentos rotários anti-horário dos cilindros, essas pequenas cavidades direcionam as sementes menores a outro trajeto, em direção à calha interior. Devido à inclinação, realizada pela regulagem do cônculo, ocorre o descarte das sementes indesejadas que fogem ao padrão, aumentando a pureza do lote e selecionando as sementes maiores.

Após o trieur, as sementes que serão revestidas seguem para um direcionamento diferente e passam para o processo de incrustação, enquanto as sementes nuas são encaminhadas ao ensaque, armazenamento e comercialização. 

O processo de incrustação consiste na adição de materiais em camadas para recobrir a semente, homogeneizando seu tamanho e formato (propriedades balísticas das sementes). Esse processo auxilia na distribuição da semente durante o plantio e contribui para a proteção contra patógenos e predadores.

As sementes direcionadas ao coater podem receber diferentes ativos e materiais inertes, entre eles biofertilizantes, enraizantes e grafite. O coater possui um conjunto de mixers (tambores rotatórios) que adicionam o material a semente. Por meio da rotação estimulada pela canaleta, são realizados movimentos giratórios que promovem a junção do material às sementes, fixando os produtos e recobrindo-as. A dosagem é realizada aos poucos, com materiais em estados líquido e sólido. 

Embora o grafite não possua uma ação direta no desenvolvimento da semente, ele é responsável por uniformizar o tamanho e formato, auxiliando na padronização do lote. Por isso, o peso das sementes recobertas podem variar de duas a quatro vezes em comparação com as sementes nuas.

Figura 3: processamento de mistura dos materiais de revestimento às sementes de brachiária no Coater; fonte: Jacson Zuchi (09/2022)
Figura 3: processamento de mistura dos materiais de revestimento às sementes de brachiária no Coater; fonte: Jacson Zuchi (09/2022)

Após o revestimento, faz-se necessária a secagem da camada adicionada às sementes de brachiária. As sementes encaminhadas à secagem entram no processo com aproximadamente 15% de teor de água, mas, para o seu armazenamento seguro, indica-se um teor de água de aproximadamente 8%. 

No secador, as sementes passam através da coluna de ar aquecido sobre uma esteira. Seu transporte até essa etapa é feito por elevadores vibratórios que conduzem o material ao conjunto de colunas de secagem. O secador é composto por módulos, nos quais as sementes revestidas e úmidas recebem insuflação de ar quente, promovendo a sua secagem. O aquecimento do ar é feito por meio de um queimador de gás, acoplado ao secador.

Ao final da secagem, as sementes revestidas e secas são levadas ao peneiramento final para homogeneização, com o descarte das sementes revestidas fora do padrão. As demais  são encaminhadas, consecutivamente, ao ensaque prévio ou definitivo e ao armazenamento.

Considerações finais

Durante ou após todas as etapas mencionadas, são realizados diversos testes físicos e fisiológicos nas sementes de brachiária para análise do vigor, germinação e viabilidade das amostras do lote. Esses procedimentos garantem a qualidade das sementes obtidas e proporcionam maior segurança ao produtor rural no momento da aquisição. 

*Por Helen Kássia Gonçalves da Silva, graduanda em agronomia no IF Goiano, e Jacson Zuchi, Engenheiro Agrônomo e professor do IF Goiano

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