Nanotecnologia e óleos essenciais
Por Alline Laiane Borges Dias, Cássia Cristina Fernandes Alves e Marco Antônio Pereira da Silva
O setor agropecuário atravessa um momento decisivo, marcado por mudanças climáticas mais frequentes, maior pressão dos mercados, instabilidade política, conflitos comerciais e uma sociedade cada vez mais atenta à origem e à sustentabilidade dos alimentos que consome. Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de repensar a forma como os sistemas agroalimentares são organizados e geridos, tanto nas propriedades rurais quanto ao longo das cadeias produtivas.
Produzir com eficiência continua sendo fundamental, mas já não é suficiente. O produtor rural e as empresas do agronegócio precisam integrar conhecimento técnico, visão empreendedora, inovação e práticas sustentáveis como elementos centrais da gestão do negócio. A capacidade de transformar desafios em oportunidades passa, cada vez mais, pelo fortalecimento do empreendedorismo no campo e pela profissionalização da gestão agropecuária.
Essa transformação é conduzida, principalmente, por pessoas. Produtores, gestores, técnicos e empreendedores são os responsáveis por tomar decisões que impactam diretamente a produtividade, a eficiência no uso de recursos e a competitividade das atividades rurais. Experiências recentes mostram que mudanças positivas na produtividade estão fortemente associadas à adoção de inovações no nível da propriedade, sejam elas tecnológicas, organizacionais ou gerenciais. Nesse contexto, o fator humano assume papel central, pois a capacidade de aprender, adaptar-se e inovar torna-se um diferencial estratégico.
A gestão eficiente no agronegócio exige um conjunto amplo de competências empreendedoras. O domínio da gestão financeira, por exemplo, é essencial para o controle de custos, o planejamento de investimentos e a análise de resultados. Registros financeiros consistentes e o acompanhamento sistemático do desempenho econômico permitem decisões mais seguras sobre preços, escolha de culturas, expansão da produção e uso de insumos. Da mesma forma, o conhecimento de mercado e as estratégias de comercialização ganham importância crescente, especialmente em um ambiente mais competitivo e orientado ao consumidor.
O avanço das tecnologias digitais tem ampliado as possibilidades de gestão no campo. Ferramentas de relacionamento com clientes, novos canais de comunicação, plataformas digitais e soluções baseadas em dados permitem ao produtor compreender melhor o mercado, aproximar-se do consumidor final e tomar decisões mais precisas. Tecnologias como sensores, drones e sistemas de monitoramento em tempo real contribuem para um uso mais racional de água, fertilizantes e defensivos, além de reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência produtiva.
Ao mesmo tempo, a capacitação da mão de obra e o investimento em qualificação continuam sendo fundamentais. A adoção de novas tecnologias e práticas de manejo exige equipes preparadas e dispostas a aprender continuamente. Propriedades que investem em treinamento tendem a apresentar maior eficiência operacional e maior capacidade de adaptação a mudanças técnicas e de mercado.
Em um ambiente econômico marcado por volatilidade de preços, incertezas comerciais e riscos climáticos, a diversificação surge como uma estratégia cada vez mais relevante. A combinação de diferentes culturas, a integração com a pecuária, o desenvolvimento de produtos com maior valor agregado e até a incorporação de atividades não agrícolas, como turismo rural ou geração de energia, contribuem para reduzir riscos e aumentar a estabilidade da renda. Além disso, a diversificação amplia as oportunidades de mercado e fortalece a resiliência do negócio rural.
Os canais de comercialização também passam por transformações importantes. Modelos de venda direta, como feiras, cestas por assinatura e plataformas online, permitem reduzir intermediários e aumentar a participação do produtor no valor final do produto. Paralelamente, cooperativas e associações continuam desempenhando papel estratégico, especialmente para pequenos e médios produtores, ao facilitar o acesso a mercados, infraestrutura, informação e poder de negociação.
A sustentabilidade e a inclusão social consolidam-se como componentes essenciais do empreendedorismo rural contemporâneo. Práticas de manejo mais responsáveis, respeito às relações de trabalho, valorização das comunidades locais e atenção aos impactos ambientais deixam de ser apenas exigências externas e passam a representar vantagens competitivas. Mercados e consumidores estão cada vez mais atentos a esses aspectos, criando oportunidades para produtores que adotam modelos de negócio alinhados à sustentabilidade.
Outro ponto relevante é a forma como o conhecimento é disseminado no meio rural. Evidências mostram que produtores tendem a adotar novas práticas com maior facilidade quando aprendem com pessoas semelhantes a eles, seja em termos culturais, sociais ou de experiência produtiva. Isso reforça a importância de programas de capacitação ajustados à realidade local e conduzidos por profissionais que compreendam o contexto do produtor.
Empreender no agronegócio, portanto, envolve planejar, gerir riscos e utilizar recursos de forma estratégica. Decisões relacionadas à escolha de culturas, uso da terra, adoção de tecnologias e investimentos exigem visão de longo prazo e capacidade de adaptação. Produtores que investem em gestão, inovação e capacitação não apenas aumentam a produtividade, mas também reduzem desperdícios, melhoram a eficiência do sistema produtivo e ampliam sua competitividade.
O futuro da agricultura está diretamente ligado à capacidade de integrar empreendedorismo, gestão e sustentabilidade. Ao fortalecer essas dimensões, o setor agropecuário se torna mais robusto, inovador e preparado para enfrentar os desafios econômicos, ambientais e sociais que já fazem parte do presente. Mais do que produzir alimentos, o agro avança na construção de sistemas produtivos eficientes, responsáveis e alinhados às demandas da sociedade.
* Por Marcelo Matos, pesquisador em Administração com foco em aprendizagem e performance organizacional; possui mais de 15 anos de experiência no agronegócio
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